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"Dois Papas": um choque de personalidades

As reuniões privadas entre o Papa Bento XVI e o cardeal argentino Jorge Bergoglio na alvorada da renúncia do primeiro ao cargo criaram “Dois Papas”, história fictícia, até delirante, com Anthony Hopkins e Jonathan Pryce. Conversa com quem os dirigiu, o brasileiro Fernando Meirelles

O Papa Bento XVI (Anthony Hopkins) e o cardeal argentino Jorge Bergoglio (Jonathan Pryce), futuro Papa Francisco, em “Dois Papas”, de Fernando Meirelles

Fernando Meirelles, de 64 anos, cineasta que todos conhecem sobretudo de “Cidade de Deus”, é assumidamente agnóstico e quando um produtor lhe sugeriu, faz agora quatro anos, que fizesse um filme sobre o Papa Francisco, passado (mas não rodado) no Vaticano (aquele é chão sagrado a que o profano cinema só raramente tem acesso...), não foi uma ideia de religião que lhe veio à cabeça. Ele achou a proposta interessante, não por devoção, mas por já ser fã de Francisco e por coisas bem práticas e terrenas, longe do reino dos céus. Para o cineasta de São Paulo, o atual líder da Igreja Católica é um exemplo único de tolerância nos dias que correm, aquele que mais estabelece elos de contacto entre todas as religiões e culturas, entre ricos e pobres — numa altura em que tantos outros líderes mundiais, pelo contrário, estão a fomentar a desconfiança, o isolamento, a construção de muros entre nações... Passou-se algum tempo desde então, Meirelles foi trabalhar no projeto da abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016 e os produtores de “Dois Papas”, entretanto, definiram para o filme um guião de Anthony McCarten (autor dos argumentos de “A Teoria de Tudo” e de “A Hora Mais Negra”, que lhe valeram nomeações para os Óscares, e mais recentemente de “Bohemian Rhapsody”, o biopic de Freddy Mercury), baseado na peça de teatro “The Pope”, que o neozelandês escreveu em 2017 (e que esteve em cena no Reino Unido na última primavera). Foi nesta altura que a Netflix decidiu entrar em jogo e produzir o filme. Acontece que Meirelles, depois de receber nas mãos, a ‘encomenda divina’, adorou o guião de McCarten. E quando à equação, para o par de protagonistas, o brasileiro conseguiu juntar os tão britânicos (curiosamente ambos galeses), mas tão diferentes, Anthony Hopkins e Jonathan Pryce (Meirelles já dirigira Hopkins no thriller “360”, de 2012), a proposta tornou-se irrecusável. A eles se acrescentaram outros elementos — e antes que me esqueça, há que sublinhar a autoria da banda sonora original, do norte-americano Bryce Dessner, um dos manos guitarristas dos The National, escolha feliz e sancionada por Meirelles, ele que não queria no seu filme música de orquestra.

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