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Cultura no sapatinho: os melhores livros para oferecer no Natal

A lista elaborada pelos críticos do Expresso com todos os livros que vale a pena ver e oferecer

Luís M. Faria

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Jornalista

Mais de seis décadas após a publicação original de “Grande Sertão: Veredas” (1956), chega finalmente às livrarias uma edição portuguesa do magnum opus de João Guimarães Rosa, provavelmente o maior romance brasileiro do século XX e uma dessas raras obras — como o “Ulisses”, de James Joyce — capazes de reinventar um género literário e até a própria língua em que foram escritas.

Narrado pelo jagunço Riobaldo, “homem de matar e morrer”, o livro é uma travessia que tem o fôlego das epopeias, entranhando-se num Brasil rural mitificado, de paisagens agrestes e violentos contrastes. “Conto o que fui e vi, no levantar do dia”, confessa, quase no fim, ao seu invisível interlocutor, o sujeito desta história feita de milhentos fios, urdidos no fluxo poderosíssimo de uma oralidade torrencial. Difícil até para o leitor culto brasileiro, a prosa de Guimarães Rosa é exigente, ergue obstáculos a cada frase, cria vocabulário novo, torce a sintaxe, desencoraja os menos afoitos. Mas, vencida a estranheza inicial, já só sentimos a garupa do cavalo e o vento na cara, enquanto avançamos pelo sertão: esse “sem lugar” que existe “quando menos se espera”. Nunca esquecendo que “Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende”. / J.M.S.

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