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Vida Extra

O super-homem de Gonçalo Waddington

Na terceira jornada de “O Nosso Desporto Preferido”, Gonçalo Waddington coloca em cena os agentes de uma nova Humanidade

Um conjunto de personagens envelhecidas, perdidas numa clínica geriátrica

Filipe Ferreira

Quando, na Grécia Antiga, as pessoas iam ao teatro, o que veriam? O que ouviriam? O que pensariam? Se quiséssemos facilitar — mas só na aparência — a resposta, recorrendo a Aristóteles, diríamos que as pessoas iam ver obras exemplares, e que, com o prazer da distração, ou além desse prazer, aprenderiam alguma coisa; também nos diria, Aristóteles, que haveria umas peças melhores do que outras, as tragédias eram melhores do que as comédias, mas não compliquemos. É claro que isto é uma caricatura do pensamento de Aristóteles, uma maneira de começar. Os gregos antigos veriam umas personagens, uns seres parecidos com pessoas, outros seres parecidos com divindades, atores; ouviam o que essas criaturas diziam umas às outras, viam o que faziam umas às outras, ouviam contar o que alguns tinham feito a outros; viam e ouviam coisas que não eram a vida real, mas que tinham qualquer coisa que ligava essas coisas à vida real — na vida real as pessoas dizem coisas umas às outras, fazem coisas, etc. Em dias de festa, os autores das peças de teatro faziam grupos de quatro peças, três tragédias e uma espécie de comédia, assim se lê nos livros sobre estes assuntos. E concorriam com essas peças; quem não quereria ganhar um primeiro prémio?