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Vida Extra

José Cid: “Sou jovem e ainda tenho muito para dizer”

77 anos de vida, mais de 50 dedicados à música, dono de um percurso que este ano se viu premiado com um Grammy Latino por Excelência Musical, honra rara na música portuguesa. É um homem eternamente sem filtro, que continua a ansiar pelo próximo disco e pelo próximo concerto. E que manda recados sem olhar a quem

José Cid não (se) trava. Não pode parar, admite, sem qualquer problema. O palco dá-lhe energia e o futuro parece ser a coisa que realmente mais lhe interessa. Agraciado com um Grammy Latino que distingue a Excelência Musical — num ano em que Joan Baez ou Omara Portuondo receberam idêntica distinção — não hesita em explicar que a estatueta vai ter lugar ao lado de prémios que lhe foram atribuídos por instituições de bombeiros e distribui mimos e alfinetadas à esquerda e à direita, deixando claro que nem a idade (faz 78 anos em fevereiro) lhe impõe qualquer espécie de filtro.

Com um novo álbum acabado de sair (“Fados, Fandangos, Malhões… e uma Valsinha”) e um outro na calha e uma consciência aguçada da obra construída, conversa sobre um alargado leque de questões, do sample do Quarteto 1111 usado por Jay-Z ao mais recente álbum de Madonna, do hip-hop ao fado, do Festival da Canção ao Ministério da Cultura. E conta histórias, como a do dia em que, garante, se viu mais requisitado para autógrafos do que Mário Soares.

Quando lhe ligaram dos Grammys, achou que era brincadeira?

Não esperava isto. Não tenho uma grande multinacional atrás de mim, a proteger-me. E são as grandes multinacionais que controlam muita coisa, que tomam muitas decisões. Não controlam tudo, ainda há gente que sabe dizer que não. Tenho um pequeno selo que produz um álbum por ano. Sei que é um suicídio, mas é o que eu quero fazer — sempre fica depois para fundo de catálogo. É meu, já não é das multinacionais. E foi por isso que fiquei surpreendido, porque estou sozinho contra as grandes multinacionais que pressionam não só Miami como a opinião pública mundial. Acabei por perguntar: “A que propósito é que vocês me vêm aqui descobrir, escondido atrás de uma moita, de um pequeno selo chamado Acid Records?” E eles responderam-me em castelhano: “Nós encontrámos um álbum seu incrível, chamado “Oda a Federico García Lorca”, de 1998.”

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