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A impermanência dos sonhos de Conan Osíris

Tiago Miranda é Conan Osíris e Conan Osíris é Tiago Miranda. “Sou mais do que dois, sou 300”, diz o artista que no dia 12 de dezembro vai atuar pela primeira vez no Coliseu de Lisboa

Rita Carmo

Fotojornalista

Rita Carmo

Quando editou o álbum “Adoro Bolos”, o terceiro da sua discografia, a 30 de dezembro de 2017, Tiago Miranda estava longe de adivinhar tudo o que mudaria na sua vida nos dois anos seguintes ou de sonhar que atuaria, em nome próprio, no Coliseu de Lisboa, espetáculo especial que se encontra a preparar neste momento. ‘Borrego’, ‘Celulitite’ e ‘Titanique’ tornaram-se hinos para aqueles que acorreram aos seus primeiros concertos e Conan Osíris rapidamente deu o salto para os grandes festivais, mas a revolução maior para ele chegaria já no início deste ano, quando ‘Telemóveis’ arrebatou o público e o júri do Festival da Canção e foi escolhida para representar Portugal na Eurovisão. Para cada fã que conquistou, surgiu um detrator pronto a destilar fel sobre um dos artistas mais controversos que o país viu nascer em muito tempo. “Já pensei em muitas teorias sobre o ódio das pessoas”, responde-nos, quando o questionamos sobre a forma desconfiada como muitos olham para ele, “claro que posso ir para o mais fácil e pensar ‘coitadas das pessoas’, posso ser supercondescendente e pensar que não entendem e não vale a pena. Ou até que não estão muito preparadas e precisam de mais tempo. Não tenho uma justificação, é um bocado uma mistura entre tudo”. Parece, contudo, compreender que há quem o encare como uma personagem fabricada: “As pessoas não têm propriamente a culpa se no dia a dia são obrigadas a vestir uma armadura de mil coisas diferentes, que não são delas. Nesse sentido, sou privilegiado o suficiente para entender que há quem não consiga entender que eu sou mesmo eu. É tão normal teres uma carapaça que depois tens direito a pensar ‘aquilo não é bem assim’. Na realidade, nós não somos sempre iguais, também. As pessoas têm de se dar mais à sua própria multidimensionalidade. Pessoas que se dão mais a isso, a essa autoexploração, conseguem entender, eventualmente, que era um bocadinho difícil eu estar 30 anos a ser algo que não sou.” E quem é, afinal? Tiago ou Conan? “Sou os dois igual. Sou mais do que os dois, sou 300. Não há mais de um noutro. Preciso de ser os dois para viver e sou sempre os dois. Se já não havia muita diferença antes, entre essas duas entidades, hoje em dia ainda há menos, porque isto agora é a minha vida.”

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