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Jorge de Sena: a liberdade do génio

Jorge de Sena e a sua obra não podem ser descartados pelo facto de o seu pensamento político ser incoerente e destituído de grandeza, pelo mesmo ter ousado meter cunhas a um amigo ou não ter tido a coragem de ir contra a ditadura no Brasil

Poderão os escritores ser julgados à luz da consciência moral?

Rui Ochoa

Na abertura de um colóquio na Biblio­teca Nacional sobre o ensaísmo de Jorge de Sena, António Feijó analisou o estudo do poema pessoano, de verso octossilábico, “Ela canta, pobre ceifeira”. Análise bem fundada, circunscrita ao universo poético e literário, posta em relação com a defesa da homossexualidade de António Botto. No introito à conferência, Feijó aludiu à consciência moral que Sena representara em vida. Os altos padrões de valores e a sua coragem foram uma referência para a geração de Feijó e parecem continuar a sê-lo, no momento de evocação da sua memória.

No sábado imediato, António Araújo publicou um longo artigo sobre as ideias políticas de Sena, no jornal “Público” (9/11/19). Argumentou, então, que o poeta e ensaísta não articulara um “pensamento estruturado sobre os desígnios pátrios”. Ou, numa outra formulação, Sena não desenvolveu “um ‘pensamento político’ sistemático e estruturado nem articulou uma conceção ideológica singular ou especialmente original”.

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