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Vida Extra

Casey Affleck testa o que resta de humano com "Luz da Minha Vida"

Projeto muito pessoal para Casey Affleck, “Luz da Minha Vida” é em simultâneo um drama pós-apocalíptico e intimista, com um pai e uma filha em fuga — e o mundo à volta deles a desfazer-se. Destoa dos demais

Casey Affleck durante a rodagem de “Luz da Minha Vida”

A segunda longa-metragem realizada, escrita e também interpretada por Casey Affleck é de uma simplicidade desarmante e começa com um “queres que te conte uma história”. No início, estamos ainda muito longe de imaginar o drama pós-apocalíptico que se vai instalar atrás das personagens — mas se “Luz da Minha Vida” entra nesse campeonato, o dos filmes-catástrofe em que a Humanidade tem que lutar pela sobrevivência, acrescente-se desde já que não será de todo desse género uma enésima variação. O que temos, no extremo mais oposto disso, no primeiro plano? Um pai e uma filha, filmados em picado. Descansam, falam um pouco. Ele está nos quarentas, ela nos dozes. Nunca saberemos o nome dele, ela dá pelo nome de Rag, é encarnada por uma jovem atriz que é um prodígio, Anna Pniowsky. O pai é um fala-barato e a sua palavrosa deriva acaba por levá-lo ao Antigo Testamento e à história da Arca de Noé. A filha ouve-o com uma paciência de santo e um espírito crítico que comprova a sua entrada na adolescência. Ela tem o cabelo muito curto e, como o rosto de Anna Pniowsky não é conhecido (mas vai sê-lo a partir de agora), confundimo-la com um rapazinho. Afinal, Rag é nome de menina, ou de menino? Mas há outra coisa que se retém logo ali, na primeira cena que depois deixa o picado e oscila entre campo e contracampo: é que a cena demora-se à medida que Casey fala sem parar e abraça a fantasia da sua história infantil, uns bons dez minutos, senão mais, nenhum apressado montador de serviço entra ali para ditar cut. Depois a câmara deixa-os e há uma luz que se apaga dentro da tenda daquele bosque onde pai e filha acamparam.

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