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Tudo o que precisa de saber sobre a Bienal de Arte de Coimbra. É uma torrente de imagens

A poesia como derivação e distúrbio alimenta obras de quase 40 artistas na 3ª edição da Bienal de Arte de Coimbra

Celso Martins

Celso Martins

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Jornalista

Pinturas de João Gabriel para ver no Colégio das Artes

Bem no início do percurso da 3ª Bienal de Arte Contemporânea AnoZero, em Coimbra, na Sala da Cidade dos Paços do Município, encontramos uma instalação do artista brasileiro José Spaniol, em que um barco de tamanho natural se equilibra sobre um canavial pairando nas alturas sobre o vazio. A obra, simultaneamente monumental e delicada, foi apresentada pela primeira vez na Pinacoteca de São Paulo em 2016, mas neste contexto é uma excelente introdução ao tema da bienal. Agnaldo Farias, o curador geral escolheu “A Terceira Margem do Rio” uma referência a um conto do escritor brasileiro João Guimarães Rosa, no qual um homem abandona a família para viver exatamente no centro de um rio em movimento. “Uma narrativa poética como a do Guimarães Rosa tem muitas camadas, é uma matéria radioativa que se presta a várias leituras e isso é, desde logo, um bom modelo para uma bienal de arte”, explica Farias, que já havia usado um verso de Jorge de Lima quando, com Moacir dos Anjos assegurou a curadoria da Bienal de São Paulo em 2010, “a ideia da descontinuidade desse rio é muito interessante. Ao vir para cá pensei no Mondego, na cidade cortada pelo rio e numa cidade de grande produção de conhecimento, essa ideia de fluxo contínuo, numa urbe antiga, confina com a discussão sobre o tempo e o facto de ela haver sido elevada à categoria de património da humanidade reforça isso.”

Na verdade, essa ideia de fluxo é predominante no desenho curatorial desta edição da Bienal, uma organização conjunta do CAPC, da Câmara Municipal e da Universidade de Coimbra, e manifesta-se nas suas três valências essenciais: nas exposições onde uma boa parte dos trabalhos são site specific; no livro que será editado no final e é um objeto em construção e autónomo em relação à exposição, e para o qual foram convidados também escritores, e no chamado programa de ativação que envolve os alunos do mestrado de Estudos Curatoriais da universidade. Esse redobrado envolvimento com a cidade e a universidade é fundamental para Lígia Afonso que com Nuno de Brito Rocha integra a curadoria tripartida: “Queríamos que esta fosse uma bienal de Coimbra e que reclamasse para si a especificidade da universidade, não só do ponto de vista histórico, mas porque a cidade tem de refletir sobre a universidade não só a um nível patrimonial e formativo mas em termos de produção de conhecimento.”

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