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Vida Extra

Angel Olsen, à flor da pele

Grave, orquestral, vulnerável, vibrante: ao quarto álbum, Angel Olsen consegue definir as suas emoções como nunca. Uma intimidade amplificada

Luís Guerra

Jornalista

Angel Olsen apresenta “All Mirrors”, a 22 e 23 de janeiro de 2020, no Capitólio (Lisboa), e a 24, no Hard Club (Porto)

Cameron McCool

Tanto no prisma do observador desinteressado como no do admirador comprometido, a vida parecia correr bem a Angel Olsen, compositora norte-americana nascida na reclusão da folk, cantora virtuosa com um timbre que ora estuda o canto dos Apalaches ora perscruta a resignação fadista, singularmente capaz de almejar a torch song intemporal. Contudo, na digressão de “My Woman” (2016), o seu terceiro álbum e aquele onde a paleta sonora se escancara mais flagrantemente (houve sempre um pingo de rock, passou a haver sintetizadores mais vincadamente), Angel Olsen confrontava-se com um não tão inusual paradoxo: o sucesso artístico não encontrava a mesma luminosidade no reduto emocional. Na aridez da estrada, Olsen — então nos últimos anos da casa dos 20 — bebeu mais do que devia, chorou mais do que queria, perdeu-se num labirinto revoltantemente difícil de resolver mas fácil de explicar: eram dores de amor (esteve prestes a casar), era a solidão do abandono (terá enfrentado com choque o fim da relação amorosa), era a miséria da humilhação (o desgosto que se adensa).

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