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Em busca de Variações: Tudo o que ainda ninguém sabia sobre António

É a personagem que, segundo a bem apanhada propaganda do filme que se estreou em agosto, os portugueses recusam esquecer. Na verdade, desde que morreu, em 1984, as suas canções e a sua maneira de estar enquanto artista têm sido revisitadas ao longo de décadas

Cristina Margato

Cristina Margato

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Jornalista

INÁCIO LUDGERO

A amizade entre os três, Fernando Ataíde, António Variações e Rosa Maria, era profunda e desafiava qualquer convenção social. Desde o início, causara grande estranheza, e eram poucos aqueles que a compreendiam. Rosa Maria, a mulher por quem Fernando Ataíde se apaixonou depois de António Variações o ter deixado de modo abrupto, não estranhou o reencontro dos dois ex-amantes: “Eu sabia que o António e o Fernando tinham vivido muitos anos juntos, 10 ou 11 anos, que os dois tinham sido amigos especiais e que o António era uma pessoa muito importante para o Fernando. Também sabia que o António tinha ido para a Holanda, sempre com aquele sonho, à procura da liberdade. A história deles não era uma coisa que me incomodasse. Eu tinha vivido na África do Sul e na Austrália. Vinha de outro ambiente. Conheci o António quando ele voltou da Holanda. Ele entrou no restaurante onde costumávamos ir, o Bota Alta, e houve muitos abraços e beijinhos. O António, não sei porquê, gostou logo de mim. Encaixou-se.” A amizade entre os três solidificou-se ao ponto de António Variações ter passado os dias que antecederam a sua hospitalização, anos depois, na companhia de Fernando Ataíde e Rosa Maria.

A tosse foi uma constante nos últimos meses de vida de António Variações, mas o ponto sem retorno aconteceu no Algarve. Teresa Couto Pinto, empresária e fotógrafa, lembra-se bem desse dia. O dia em que António adormeceu ao sol, no terraço da casa da irmã de Teresa, onde os dois se tinham hospedado. Teresa ainda o acordou. Mas António, teimoso como sempre foi, não se quis recolher. Não queria aparecer na televisão, num programa a gravar numa praia algarvia, no dia seguinte, com um tom de pele esbranquiçado. Continuou a bronzear-se. Nessa noite, teve febre: “O mercúrio batia no topo do termómetro. Já não tinha mais para onde fugir.” Como não havia comprimido que fizesse baixar a temperatura, Teresa e António decidiram regressar a Lisboa, sem gravarem o programa de televisão. A febre não era alta. Era muito alta. Uma febre que ninguém tinha visto até então. Fizeram a viagem de regresso a Lisboa com o cantor deitado sobre o colo da filha de Teresa, no banco de trás do carro. Maria Ana, de 9 anos, chegou a Lisboa com a roupa ensopada. António, febril, não parou de transpirar. Teresa deixou-o sozinho em casa e foi avisar Fernando Ataíde, amigo íntimo de António Variações. A estada em sua casa durou pouco tempo: “Ele ficou num quartinho com televisão, mas não havia nada que o distraísse”, conta Rosa Maria ao Expresso. Nada também que fizesse baixar a febre.

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