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A génese de um arquivilão. “Joker” estreia nos cinemas

“Joker” é um originalíssimo filme na galáxia dos super-heróis. Mas é também um desassombrado depoimento social e político. Estreia-se na quinta-feira

Jorge Leitão Ramos

Jorge Leitão Ramos

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Jornalista

No universo da banda desenhada não há personagens mais congenitamente ligados do que Batman e Joker. Concebidos desde a origem, Joker foi o primeiro vilão com quem o justiceiro da máscara de morcego se teve de defrontar. Não era para durar muito, mas acabou por se tornar o exemplar arqui-inimigo de Batman, com o seu rosto deformado em forma de perpétuo esgar, o rosto branco cruzado pelo ricto vermelho da boca rasgada, os cabelos esverdeados — uma espécie de palhaço medonho. O riso é de ameaça, e os gadgets de raiz carnavalesca (como a flor que esguicha, na lapela) têm sempre variantes de horror (a flor esguicha ácido). Há um lado demencial na criatura que faz dela um ser solitário, um impossível aliado, o supremo narcisista.

As origens para a deformação física do Joker foram tendo diversas variantes na longa caminhada do personagem pela banda desenhada da DC Comics — a mais comum é a queda num tanque de produtos químicos corrosivos que lhe marcaram o rosto e tintaram para sempre de verde os cabelos. Mas o princípio dos princípios nunca foi cabalmente definido nem pelos seus criadores nem pelos autores que foram tomando conta do personagem. É nesse vazio, nessa ausência, que Todd Phillips mergulha no filme que ganhou o Leão de Ouro no recente Festival de Veneza e vai estrear-se esta semana em Lisboa — e em todo o mundo. É um gesto arrojado, que tinha bastas condições para correr mal mas que acabou por nos trazer um originalíssimo filme na galáxia dos super-heróis — onde nenhum herói se vislumbra...

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