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Vida Extra

O admirável mundo de Luís de Matos

O mais famoso ilusionista português passou metade do ano em digressão pela Europa e está de volta a Portugal para uma nova série de espetáculos. Em 1995, o mágico tornou-se conhecido por acertar nos números do Totoloto, mas nem ele seria capaz de prever o que aconteceria nos 24 anos seguintes

diana tinoco/visão

No palco onde um homem vestido de preto agora se encontra não há nada além dele, um copo e um aquário. À sua frente, o silêncio próprio de uma sala escura à espera da surpresa. O homem está lá para isso e sorri sempre. Começa por pôr o copo dentro do aquário, de onde tira alguma água. Volta a pôr a água no aquário e a encher de novo o copo. Está a jogar com o público, que se vai afastando da cena inicial. De súbito, num golpe de mãos, faz aparecer uma carta. A água é atirada para a carta, a carta para o copo, e eis que chega a primeira surpresa. A carta é depois dispensada até ser substituída por um lenço, que irá também para o aquário e que entrará aos poucos na mão fechada do homem até desaparecer em definitivo. É a segunda surpresa. A cada gesto, o público é convidado a entrar no jogo de perceção e engano, perceção, engano. Quando espera que o homem vá para um lado, ele já está noutro. Até chegar ao que verdadeiramente o alimenta: aquele eco de “uau” que corre a plateia à terceira surpresa.

Luís de Matos sabe exatamente que gestos fazer para ali chegar. As mãos ora mostram ora escondem — como num trapézio, em que um pé fora do sítio é suficiente para estragar o número. É por isso que um mágico nunca abandona o seu método. Experimenta, erra, experimenta outra vez. Está mais próximo de um cientista do que se imagina. “A magia procura juntar mecanismos tangíveis ou intangíveis, materiais ou imateriais, psicológicos ou mecânicos, para manipular a perceção. É obrigada a ter um grau de rigor que é muito próximo do rigor científico”, confirma Luís de Matos. Nem mágicos nem cientistas sabem onde vão chegar quando alteram uma das variáveis. E isso é bom. “A coisa mais bonita que podemos experienciar é o mistério. É a fonte de toda a arte e ciência”, disse Einstein. Luís de Matos, por seu lado, diz que “historicamente há uma relação muito grande entre a ciência e a magia. Há um espírito inquieto que é comum aos dois. Um para construir, outro para desconstruir”. O mágico tem, porém, uma vantagem: o tempo. Basta pensar em ideias que nos atraem, como a do teletransporte, e perceber que muitas delas só podem ser cumpridas por dois grupos de pessoas: os mágicos e os cientistas. Os cientistas talvez daqui a meia dúzia de décadas. “Os mágicos logo à noite”, profetiza Luís de Matos, quando ainda está sentado num sofá de hotel, a antever o show que se segue.

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