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Vida Extra

Entrevista ao coreano vencedor da Palma de Ouro em Cannes

Conversa com o grande cineasta coreano a propósito de “Parasitas”, um dos filmes do ano. Estreou-se esta semana em Portugal

Bong Joon-ho no photo call do último Festival de Cannes, em maio

Pascal Le Segretain/Getty Images

Por duas vezes encontrámos Bong Joon-ho este ano, primeiro em Cannes, antes de “Parasitas” se ter tornado o primeiro filme coreano a vencer a Palma de Ouro, depois em Locarno, onde este cineasta apaixonado por Hitchcock e Buñuel foi homenageado, a par do seu ator predileto, Song Kang-ho. Esta é a história de uma paupérrima família de desempregados, os Kim, que, por mero acaso, se vai aproximando pouco a pouco dos muito endinheirados Park. O choque social gera então um curto-circuito fulminante.

Há quase 20 anos, entrou no cinema com uma primeira longa-metragem de comédia, “Barking Dogs Never Bite” [2000]. E em seguida, assinou o fabuloso “Memories of Murder” [2003], que é um levantamento histórico, chocante, de um fait divers passado no seu país na década de 80. Ora, “Parasitas” — que também é um ‘caso de polícia’ — é uma fusão perfeita destes dois géneros. Concorda?

Estou de acordo apesar de esse processo ser inconsciente. Eu sabia que o choque das duas famílias de “Parasitas” iria criar situações de comédia — mas uma comédia que coloca o espectador numa posição desconfortável. De “Memories of Murder”, que foi baseado num caso dos anos 80 que me impressionou muito retirei outra coisa que eu acho que existe em todos os meus filmes: uma atração pela memória coletiva. Não posso esquecer quem sou, nem de onde venho. E agrada-me muito a ideia de se pensar que “Parasitas”, apesar de ser um filme de ficção, não deixa de ser um retrato do meu país em 2019.

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