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Vida Extra

Um Porto de design com Itália à vista

A primeira edição da Porto Design Biennale arranca esta quinta-feira e a programação prolonga-se até 8 de dezembro, com arte à vista para ver o mundo nas cidades do Porto e Matosinhos

Inês d'Orey

Uma capa de neblina cobre os Jardins do Palácio de Cristal, onde, na Galeria Municipal do Porto, é desvelada a primeira edição da Porto Design Biennale (PDB). As “Tensões do Novo Milénio” pautam o evento, inaugurado esta quinta-feira e estendido até 8 de dezembro. Alterações climáticas, crises migratórias, económicas e geopolíticas, alternativas para sociedades mais inclusivas e democráticas, gentrificação e especulação imobiliária, cultura digital, ativismo ou novas formas resistência. Tudo isto existe. Tudo isto é arte, à vista para ver o mundo.

A oferta da bienal — promovida pelas câmaras municipais do Porto e de Matosinhos, com organização da ESAD — assenta em três eixos: “Present Tense” (centrado no novo design nacional), “Design Forum” (intersecção e conflito com aspetos políticos, financeiros, tecnológicos e culturais) e “Design and Democracy” (relação entre criação contemporânea e democracia).

“Será o evento mais importante na área do design realizado em Portugal”. A afirmação é do curador-geral, José Bártolo, com a expectativa de que a PDB consiga atrair aproximadamente 100 mil visitantes aos vários equipamentos culturais que integram a iniciativa: Galeria Municipal do Porto, Biblioteca Almeida Garrett, Teatro Rivoli, Palácio das Artes - Fundação da Juventude, Museu e Igreja da Misericórdia, Galeria Comercial Mota Galiza, Palácio dos Correios, chegando também a Matosinhos para ocupar a Casa do Design, a Casa da Arquitectura e o Museu da Quinta de Santiago.

O “desenho programático muito diversificado”, nas palavras de José Bártolo, contempla oito exposições (três dedicadas ao design italiano, país convidado da primeira edição), quatro conferências, um ciclo de workshops destinado a jovens curadores, performances e instalações.

“Permitirá a públicos especializados um contacto com abordagens projetuais muito recentes, contemporâneas e prementes. Por outro lado, houve a preocupação de chegar a um público mais alargado e creio que, dentro da diversidade, alcançaremos um grande espectro”, alvitra o responsável artístico.

A exposição “Frontiere - Expressões de Design Contemporâneo” é inaugurada esta quinta-feira, pelas 15h, na Casa do Design. Mais tarde, às 22h, a Galeria Municipal do Porto abre as portas a “Millennials - Design do Novo Milénio”.

“Que Força É Essa - Imagens de Protesto e Participação Democrática em Portugal” é revelada ao público na sexta-feira, na Casa da Arquitectura, enquanto, no mesmo dia, a Galeria Comercial Mota Galiza mostra um “Portugal Industrial”. Já no sábado, a Biblioteca Municipal do Porto fica a conhecer “A Força da Forma”.

A Porto Design Biennale “não pretende ser apenas um espaço de exposição” e chega com a ambição de “formar um contexto muito plural de discussão e produção de conhecimento”, frisa José Bártolo. “É uma oportunidade de contactar com uma extraordinária qualidade e diversidade de projetos” que “mostram o design explorado em diversas vertentes: como prática investigativa, como trabalho de confronto crítico com a realidade e como prática muito pragmática de resposta a problemas emergentes”, acrescenta o comissário, que esta quarta-feira apresentou o evento à comunicação social.

D.R.

O orçamento para a realização da bienal atingiu 1,4 milhões de euros, um valor cofinanciado pelas duas autarquias (860 mil euros do Porto e 540 mil de Matosinhos). Também presente na conferência de imprensa, para Rui Moreira este “é um projeto de grande relevância para ambos os municípios e que se insere numa prática corrente de de colaboração”. O presidente da CMP enaltece igualmente o “valor artístico e económico do design que se destaca a nível nacional e internacional”.

Em sintonia, a presidente da Câmara Municipal de Matosinhos considera “importante que a economia olhe para o design como algo que acrescenta valor” e espera que “a indústria portuguesa o use no seu trabalho”. Olhando já para o futuro, com a próxima edição a realizar-se em 2021, Luísa Salgueiro alarga a expectativa: “Oxalá possamos trazer outras autarquias e trazer a Frente Atlântica para este projeto”.

A programação integral e outras informações úteis podem ser consultadas AQUI.

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