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Vida Extra

Portas abertas ao de ativismo gay, antirracista e de género

Uma nova política das identidades nasceu à noite? Os finais da década de 70 e inícios dos anos 80 precederam e abriram as portas às décadas de ativismo gay, antirracista e de género em que nos encontramos

Diogo Ramada Curto

Diogo Ramada Curto

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Historiador

Os espetáculos de travestis constituíam uma outra fonte de transgressão. Guida Scarllaty, aqui numa foto no aniversário do Finalmente, desempenhou um papel inovador e corajoso

Gostei do filme realizado pelo João Maia sobre o António Variações. Trabalho cuidado de fotografia e som, com alguns quadros de grande beleza. Enredo a prender o espectador, com representação exemplar de Sérgio Praia. Fui vê-lo com a minha filha mais nova, para lhe mostrar um outro tempo e poder recolher as suas opiniões. Que o filme era triste e lúgubre, sem humor e riso, como se fosse uma crónica com um fim infeliz — foi a ideia de quem espera divertir-se com uma ida ao cinema. Acrescentaria que se afigura exagerada a caracterização de Variações, sempre angustiado no seu processo criativo, sem nunca se perceber onde poderia estar o gozo ou o divertimento. Não merecia... Já tínhamos o Camões representado pelo António Vilar no filme de Leitão de Barros.

Existem, também, outros quadros de um exagero escusado, na sua intenção de acentuar os aspetos performativos da masculinidade gay. É o que acontece com o interior de uma discoteca gay, sem se perceber se em Nova Iorque, Amesterdão ou Lisboa, com personagens que mais fazem lembrar os cabarés alemães entre a República de Weimar e a ascensão nazi. Acentuar ou exagerar os traços, seja do que for, não significará insegurança em relação à própria identidade que se pretende construir? Bem melhor se afigurou a representação do encontro crucial entre Variações com os ex-combatentes.

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