Perfil

Vida Extra

Viagem ao universo pessoal e profissional de Álvaro Siza em Serralves

Serralves celebra seis décadas de atividade de Siza com uma longa viagem ao universo pessoal e profissional do autor do Museu de Arte Contemporânea, inaugurado há 20 anos

Valdemar Cruz

Valdemar Cruz

texto

Jornalista

O jovem Álvaro sentado na praia de Matosinhos a ler, em 1944

Imprevisível. Indisciplinado. Inconformado. Inquieto. Insubmisso. Independente. No chão raso da depuração das formas parece não haver lugar para o adereço, para o adjetivo, para a tentativa de classificar o inclassificável: Álvaro Siza. Acontece, então, o recurso a uma infinidade de adjetivos. Multiplicados na imensidão dos seus múltiplos significados, desencadeiam adesões, distanciamentos, aproximações, distâncias, afetos, paixões. Apontam caminhos possíveis. Revelam de novo as palavras à procura das veredas por onde se esvai a impossibilidade absoluta de definir o génio. É assim Álvaro. É assim Siza. É assim essa totalidade capaz de emergir de um nome a partir do qual se pode construir uma leitura da história da arquitetura portuguesa. Passada, presente e futura. Se há muita ousadia nesta constatação, ousadia maior é a contida no desafio ao qual procuram dar resposta Nuno Grande e Carles Muro ao comissariarem a exposição “Álvaro Siza — in/disciplina”, com inauguração marcada para a próxima quinta-feira, dia 19, no Museu de Arte Contemporânea de Serralves.

Ao celebrar seis décadas do trabalho arquitetónico de Álvaro Siza, a mostra festeja, também, a partir de 30 projetos produzidos entre 1954 e 2019, os 20 anos do Museu concebido pelo arquiteto. Parte, na sua própria designação, de um conceito porventura estranho ao comum dos mortais, pouco familiarizado ou conhecedor dos detalhes da vida de Siza. Ao vasculharem os arquivos espalhados pelo CCA — Canadian Centre for Architecture, Fundação Calouste Gulbenkian ou Serralves, os curadores foram encontrar o sumo de que se alimenta uma exposição em que aquelas três dezenas de projetos são apresentados através de desenhos e maquetas. Ao longo das salas dos museus, numa conceção expositiva que abdica do uso das paredes para privilegiar a ideia de mesa comprida de arquiteto sobre a qual o visitante se debruça, vai ser possível o encontro com tantos Sizas quantos consegue abranger o imaginário de cada um.

Para ler o artigo na íntegra clique AQUI.