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Estilhaços de Luxúria Canibal, Pedro Lamares em Pessoa e Três Tristes Tigres animam FIGaia

O evento arranca esta quarta-feira e até 22 de setembro invade a cidade para pensar a sustentabilidade. Conferências, concertos, artes visuais, poesia, teatro, performance e espetáculos infantis entre as mais de 80 intervenções culturais

D.R.

As preocupações ambientais e a busca por soluções mais sustentáveis pautam a matriz do FIGaia — Fórum Internacional de Gaia, evento que pela terceira vez regressa à cidade. Chega com um novo nome e com uma oferta cultural mais vasta, distribuída por 11 dias e ramificada em conferências, debates, concertos, artes visuais, poesia, teatro, performance e espetáculos infantis entre as mais de 80 atividades que compõem o cartaz.

“É um momento para celebrar o presente e imaginar o futuro, para questionar práticas e tentar encontrar soluções sustentáveis para os nossos países e cidades”, explica ao Vida Extra Ana Carvalho, coordenadora programática de uma iniciativa que “quer pôr Gaia a pensar à escala global”.

A presente edição, subordinada ao tema da “Colaboração em Português”, tem como principal destaque a atuação visceral de Adolfo Luxúria Canibal que leva “Estilhaços” ao Auditório Municipal na noite de 20 de setembro, às 21h30. O espetáculo a cargo do icónico vocalista dos Mão Morta baseia-se na interpretação musicada de textos do próprio e nas incursões pela poesia surrealista de Mário Cesariny.

Já esta-quinta-feira, no mesmo espaço e à mesma hora, Pedro Lamares, em Pessoa, dá voz a uma navegação pela “Ode Marítima”, poema de Álvaro de Campos declamado integralmente. O FIGaia conta igualmente com várias sessões de “Poesia a Abrir”, celebrada também com “Língua de Sal - Antologia Mínima de 100 Poemas em Língua Portuguesa” que será apresentada durante o certame.

“A literatura e a poesia são a expressão máxima de uma língua, o material que perdura, educa e informa as gerações seguintes. Pensamos que era importante construir um programa que desse uma atenção especial a esta vertente específica — e tão rica — da nossa cultura”, sustenta Ana Carvalho.

A voz de Ana Deus e a guitarra de Alexandre Soares, com letras da poetisa Regina Guimarães, dão vida aos Três Tristes Tigres

A voz de Ana Deus e a guitarra de Alexandre Soares, com letras da poetisa Regina Guimarães, dão vida aos Três Tristes Tigres

Graziela Costa

Deus quis, Soares também e os Três Tristes Tigres estão de regresso ao ativo, com vontade de reabrir um “Guia Espiritual” (título do segundo álbum da banda, editado em 1996) que querem partilhar com o público, numa odisseia pelas paisagens sonoras que envolvem as letras da poetisa Regina Guimarães. A dupla composta pela vocalista Ana Deus e pelo guitarrista Alexandre Soares tem na calha um novo álbum e sobe ao palco no dia 19 para um concerto na Biblioteca Municipal de Gaia.

A sessão de abertura do FIGaia decorre esta quarta-feira, pelas 10h, com a presença do presidente da Câmara, Eduardo Vítor Rodrigues, acompanhado por Michael Sutton (diretor executivo do Prémio Goldman) e pelo professor Filipe Duarte Santos, presidente do Conselho Nacional do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

“E depois do conflito - A Missão das Construtores de Paz” é o título da conferência que conta com a presença de vários oradores ilustres, como o político e jurista timorense Ramos-Horta que presidiu aquele país durante 2007 e 2012, o conceituado e mais antigo jornalista ambiental Geoffrey Lean, aos quais se juntam Osiris Ferreira (juiz do Supremo Tribunal da Guiné-Bissau) e o sul-africano John Volmink, presidente da organização não-governamental MIET Africa.

Durante o evento será ainda apresentado o júri e o regulamento do novo prémio de Jornalismo e Desenvolvimento Sustentável promovido pela Câmara Municipal de Gaia.

A programação integral e outras informações podem ser consultadas AQUI.