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A metamorfose do “Homem Bicho”: a arte que pinta a monstruosidade humana

Exposição do pintor Agostinho Santos é inaugurada esta sexta-feira e pode ser vista na Casa-Museu Teixeira Lopes, em Vila Nova de Gaia, até 17 de novembro

D.R.

Questionar, inquietar e alertar: é esta a trindade que dá origem ao caráter único da obra do artista plástico Agostinho Santos, mentor do Museu de Casas, que esta sexta-feira dá à luz o “Homem Bicho”, título da mais recente exposição individual.

A mostra, patente na Casa-Museu Teixeira Lopes até 17 de novembro, é composta por mais de 60 obras que, nas palavras do criador, foram “construídas através da metamorfose, da junção entre o homem e o bicho” vista a olho nu para “evidenciar a monstruosidade humana, que se confunde com o animalesco”.

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O curador Albuquerque Mendes explica que a exposição resulta do ato de “pegar no trabalho de Agostinho Santos e transformar esse vetor numa forma de dar sequência aos objetos e humanizá-los”. O comissário acrescenta que estamos perante uma “humanização do bicho e do lixo para analisar a transformação do próprio ser humano”, sem que se saiba exatamente onde começa a metamorfose.

“Esta mostra chama-nos a olhar para a transição das coisas, para o limbo da perceção, para o espaço e para o que vai além da imaginação. Os alvos a abater em sociedades que são implacáveis para quem está em zonas cinzentas. O Homem Bicho desafia a pensar onde tudo começa”, salienta Albuquerque Mendes.

O catálogo da exposição contará, além das imagens das obras, com textos de Valter Hugo Mãe e Gonçalo M. Tavares.