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São João: Teatro Nacional está mais internacional e chega a Cabo Verde

Acordo celebrado com Cabo Verde permite ao Teatro Nacional São João levar produções próprias ao arquipélago

D.R.

A rentrée cultural do Teatro Nacional São João (TNSJ) engloba 27 espetáculos apresentados até ao final de fevereiro, dando palco a 12 estreias, quatro criações próprias e 11 coproduções. A oferta da sala de espetáculos portuense — estendida ao Teatro Carlos Alberto (TeCA) e ao Mosteiro São Bento da Vitória — acolhe seis propostas artísticas internacionais, provenientes de Itália, Alemanha, Inglaterra, França, Brasil, Espanha e Uganda.

O grande destaque da programação, anunciada esta sexta-feira, vai para a parceria estratégica assinada entre o TNSJ e Cabo Verde.

“Assinamos hoje, com um brilhozinho nos olhos, um acordo de cooperação que associa o Teatro Nacional São João, o Ministério da Cultura [de Portugal] e o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde”, referiu Pedro Sobrado, presidente do conselho de administração do TNSJ, relativamente a um protocolo gizado ao longo de quase um ano.

“Sentimos que a própria maturidade técnico-artística que a estrutura do São João alcançou reclama um modelo de internacionalização que exceda o import/ export de espetáculos, favorecendo a partilha de competências e conhecimento, e o estabelecimento de parcerias de longo curso”, salientou o dirigente.

O diploma que visa o intercâmbio artístico e contempla ações de formação irá vigorar durante os próximos três anos, permitindo ao Teatro São João levar, já no mês de novembro, duas produções próprias ao arquipélago africano: “Achadiço” (concebido especialmente para ser estreado em Cabo Verde) e “Bella Figura”, peça que regressa aos palcos para a abertura do Festival Mindelact.

A temporada na emblemática sala da Invicta abre com a estreia d“A Morte de Danton”, a primeira produção própria dirigida por Nuno Cardoso no papel de diretor artístico do TNSJ. A peça de Georg Buchner, protagonizada pelo ator Álbano Jerónino, sobe ao palco de 18 a 29 de setembro e mergulha no sangrento caos poético da Revolução Francesa.

O Mosteiro São Bento da Vitória abre-se para receber a “Locker Room Talk” de Jorge Andrade, uma criação da Mala Voadora que pode ser vista entre 4 e 5 de outubro. O espetáculo foi construído a partir de centenas de entrevistas, em que foi pedido a homens para falarem desassombradamente sobre mulheres.

Uma “Alma Nómada”, encenada e interpretada por Magali Chouinard, vai andar à solta no Teatro Carlos Alberto também em outubro, enquanto o coletivo Cão Solteiro invade o TNSJ para mostrar “Could Be Worse: The Musical”, uma interseção entre o teatro e o cinema com estreia agendada para 7 de novembro.

“Os Nossos Dias Poucos e Desalmados”, a partir da obra de de Mark O'Rowe, é outra das criações do São João em estreia, com encenação de João Cardoso. As récitas prolongam-se entre 21 de novembro e o dia 30 do mesmo mês, levando à cena “um drama familiar sobre a culpa, o sacrifício e o amor”.

Em ano de centenário, o mês de janeiro desvela “Um Plano do Labirinto” e dá a conhecer “Western Society”, enquanto o mês de fevereiro reserva ainda o regresso a Portugal de “MDLSX”, com encenação de Enrico Casagrande e Daniela Nicoló.

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