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Nuno Calvet: “Cada fotografia é, em certa medida, uma autoanálise”

Passou mais de metade da vida a fotografar paisagens e pessoas, anónimas ou no estrelato. Para Amália Rodrigues fez a capa de um disco que a memória coletiva registou com base numa fotografia: “Busto”

Tiago Miranda

Fotografou muito, mas fala pouco sobre essas fotografias. Porquê?

Como dizia o ‘nosso amigo’ Cartier-Bresson, se é necessário falar sobre uma fotografia é porque ela não comunica o que pretende. A não ser que seja uma conversa estritamente estética, sobre produção, montagem gráfica. Sobre o que acontece nela, a imagem propriamente dita, as palavras são supérfluas, são espúrias. Olha-se para a fotografia e é ela que tem de nos dizer o que é real e íntimo.

Não lhe chama arte. Soa-lhe pretensioso?

A fotografia é um tipo de expressão gráfica que tem uma génese mecânica, técnica, e a partir daí toda a conversa que se gera sobre o resultado dessa expressão tende a ser ou muito técnica ou cheia de lugares-comuns e de preconceitos de ordem estética. A partir de certa altura, começa a haver uma separação entre fotografia e outros processos artísticos de origem gráfica (a pintura, o desenho), porque a fotografia começa a ser acessível a todo o ‘bicho careta’. Toda a gente quer fotografar e toda a gente tem uma máquina. Julgam as pessoas que é só carregar no botão e sai uma coisa bonita. Então entramos no campo do bonito, que não tem nada que ver com o lado artístico, criativo, que a fotografia pode encerrar. E que a maior parte das vezes até nem encerra: limita-se a reproduzir aspetos ditos bonitos, interessantes, mas que não têm ligação com a intimidade do fotógrafo, com a sua maneira de ser e de estar. São aparências e às aparências, normalmente, não lhes resta mais nada. Entramos no tempo em que a fotografia começa a ser considerada uma arte, mas uma arte menor. Porque é muito fácil fotografar um pôr do sol, as ondinhas do mar a rebentar. É muito fácil fazer essas coisas e começou a misturar-se essa facilidade em reproduzir imagens ditas bonitas do quotidiano com o lado artístico. Esse lado tem que ver com outros mundos, muito pessoais.

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