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Laurie Anderson: “Se pensas que a tecnologia pode resolver os teus problemas, não percebes a tecnologia nem percebes os teus problemas”

Apresentou em Cannes “Go Where You Look! — Falling Off Snow Mountain”, um conjunto de três instalações de realidade virtual. A conversa com a artista norte-americana de 72 anos começou por aí, mas também abarcou as suas preocupações sociais, políticas e ambientais sobre o estado do mundo

Francisco Ferreira em Cannes

Ebru Yildiz

Compositora americana de avant-garde, escritora, artista plástica e também realizadora de dois documentários fabulosos que fizeram data — “Home of the Brave” (1986), a partir do seu álbum homónimo, e o mais recente “Heart of a Dog” (2015), filme autobiográfico e cósmico —, Laurie Anderson, uma das artistas americanas mais influentes dos últimos quarenta anos desde o lançamento do seminal álbum de estreia, “Big Science” (1982), ela que, desde sempre, se sentiu atraída pelas revoluções tecnológicas com uma mistura de fascínio e de apreensão, tem estendido o seu campo de trabalho na presente década às performances multimédia associadas à exploração da realidade virtual.

Anderson foi, em 2002, a primeira artista residente na NASA. A experiência deu lugar, dois anos volvidos, à performance a solo “The End of the Moon”, a segunda de uma trilogia que, com “Happiness” (2001) e “Dirtday”, deu a volta ao mundo. Publicou até à data oito livros: o mais recente, “All the Things I Lost in the Flood”, é uma série de ensaios sobre a imagem e a linguagem. Em 2017, a compositora que em tempos assinalou que a “linguagem é um vírus” (título de uma das suas canções), juntou-se a quatro outros artistas na inauguração de uma exposição programada para estar patente 15 anos no MASS MoCA, Museu de Arte Contemporânea de Massachusetts.

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