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Fátima Bonifácio apresenta livro com ensaios inéditos e “meros artigos de jornal”

Historiadora recentemente envolvida em polémica por defender que negros e ciganos não pertencem "à Cristandade" lança agora ensaios e outros textos

Luís M. Faria

texto

Jornalista

Este livro contém 32 peças, grande parte das quais dos últimos anos, juntamente com algumas da primeira década deste século e dos anos 90. A autora diz que o livro reúne “alguns ensaios inéditos, bem como uma série de textos, alguns ensaísticos e outros meros artigos de jornal”. Dado que uma recente coluna do “Público” suscitou aquela que deve ter sido a maior tempestade de indignação pública jamais caída sobre Maria de Fátima Bonifácio, nesta altura ela há de estar consciente do efeito que um mero artigo de jornal pode ter, sobretudo um artigo tão bizarro como aquele. Nele defendia-se que a discriminação positiva no acesso à universidade era justificada em relação às mulheres, mas não aos negros e aos ciganos por estes não fazerem “parte de uma entidade civilizacional e cultural milenária que dá pelo nome de Cristandade”. O argumento, além de lamentável por outras razões evidentes, tinha pressupostos falsos, como mesmo defensores da historiadora admitiram.

Como ainda não falou publicamente sobre o assunto (escrevo na segunda-feira), não temos maneira de saber o que aconteceu — se foi um equívoco, um meltdown passageiro, ou a expressão de convicções mais profundas. Para quem não a conhece pessoalmente nem tem acompanhado a sua carreira académica, a presente coleção desperta inevitavelmente curiosidade. Não se pode julgar uma pessoa por um mau momento, e Bonifácio tem o direito de ser apreciada pelo conjunto da sua produção, ainda que apenas em contextos “à margem do meu trabalho profissional, claro”.

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