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“Não se pode ser autoindulgente durante mais de meia hora”

Josep Carreras. O tenor pensa retirar-se, mas não sem antes visitar cidades onde foi feliz. Lisboa é uma delas. Quer ainda a independência da Catalunha e luta por uma cura da leucemia para todos

Há muitos anos venceu a leucemia e criou uma fundação que luta contra a doença. Até nisso, afirma Josep Carreras, foi um homem de sorte. O tenor spinto que aos seis anos descobriu que queria ser cantor, ficou mundialmente famoso depois de cantar ao lado de Luciano Pavarotti e Plácido Domingo quando, no final dos anos 90, conseguiu levar a ópera a milhões de pessoas. Confessa, nesta entrevista, que a ideia dos Três Tenores foi dele. E ainda que gosta mais de Messi do que de Ronaldo, que o seu sonho era ver a Catalunha independente, que em tudo na vida é preciso “disciplina, disciplina e disciplina”, que a “autoindulgência” deve ser evitada a todo o custo, que a determinação é muito importante num doente de cancro, e que a fé tem de ser férrea, ainda que não seja em Deus. Falámos com ele em Barcelona, num dia de verão, cinzento, e de chuva, mas que esteve longe de afetar a sua jovialidade e bom humor. Foi no escritório da fundação que criou apenas um ano depois de ter descoberto que estava condenado ao transplante de medula, com o qual ganhou uma nova vida. E é para dar novas vidas, a tantas outras crianças e adultos, que dirige grande parte do seu esforço, no momento em que prepara a despedida dos palcos, passando pelos lugares onde foi feliz. Lisboa é um deles. Onde regressa para um concerto dia 28 de setembro, na Altice Arena.

No ano passado disse que estava a preparar a sua reforma. É verdade?

Sim. Se tiver a possibilidade de ir cantando vou fazê-lo, mas não se prolongará por mais de dois ou três anos. A ideia era cantar em todos os sítios em que cantei anteriormente. Vou ter oportunidade de ir a cidades como Lisboa, Viena, Londres, Madrid, Moscovo ou Nova Iorque, embora seja impossível ir a todos os lugares. O que pode ser melhor para um cantor do que regressar aos sítios onde sentiu o apoio e o calor do público? Mas como sabe os artistas não são de confiança! A minha profissão é antes de tudo uma vocação. Sou feliz a cantar, a comunicar com público através da minha música e da minha voz, pelo que continuarei enquanto eu e o público considerarmos que estou em condições de o fazer. Enquanto me puder apresentar vou fazê-lo.

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