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Quadro de Rembrandt sujeito a uma das maiores operações de restauro de sempre. E desta vez o público pode ver tudo

A famosa, enigmática e ambiciosa obra de Rembrandt, concluída em 1642, vai ser restaurada novamente. Os trabalhos devem durar um ano e meio e o público pode assistir a tudo

Reuters

Quatro metros de altura por quatro e meio de largura. Pesa 337 quilos. É gigante, mas o significado colossal de “A Ronda da Noite” — encomendada em 1640 a Rembrandt pelo capitão Frans Banning Cocq e concluída dois anos depois — transborda as dimensões físicas. É considerado o mais ambicioso trabalho do artista e retrata a milícia da Guarda Civil de Amesterdão. Pejado de códigos e mistérios, serviu de inspiração para o último romance deixado por Agustina Bessa-Luís e é considerada uma das obras mais importantes do mundo.

Apesar da imponência, o gigante é bastante vulnerável e já sofreu 25 restauros, o último deles após um ataque de vandalismo em 1975. O quadro está exposto na capital holandesa, na galeria de honra do Rijksmuseum, onde, todos os anos, mais de 2 milhões de pares de olhos pousam sobre a peça. Examinam-na, perscrutam-na, mas nunca tão exaustivamente como os investigadores e peritos que traçaram o novo plano de intervenção.

A multimilionária “Operação Ronda da Noite” decorre no interior de uma estrutura de vidro — que estabelece uma distância de sete metros em redor do quadro — para que todos os passos possam ser seguidos pelo público, tanto no local como através de live streaming.

O objetivo é que tudo seja transparente. “O público tem o direito de ver o que é feito na pintura”, defende Taco Dibbits, diretor-geral do Rijksmuseum, para quem a obra “pertence ao mundo inteiro”.

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“É necessário um estudo detalhado para determinar o melhor plano de restauro”, frisa o responsável pelo museu, relativamente a um processo que vai incorporar técnicas de inteligência artificial, a partir dos dados recolhidos com os exames de raio X e de infravermelhos.

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Os trabalhos, conduzidos por uma equipa multidisciplinar de 20 especialistas internacionais, está em marcha desde 8 de julho. Durante um ano e meio, pelo menos, cientistas, restauradores. historiadores de arte e fotógrafos vão meter, literalmente, mãos à obra, 350 anos após a morte de Rembrandt.

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