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Stanley Kubrick: A perfeição no meio do caos

A exposição “Stanley Kubrick” no Museu do Design em Londres recapitula brilhantemente a obra e o pensamento do genial realizador

AÇÃO O realizador durante a rodagem de “The Shining”

Valeu a pena esperar! A exposição “Stanley Kubrick” anda a circular pelo mundo — de Frankfurt a São Francisco, de Seul a São Paulo, de Sydney a Tóquio — desde 2004. Chegou finalmente a Londres, ao Museu do Design, revista e aumentada, quando se comemoram vinte anos sobre a morte do realizador. Pode dizer-se que é um regresso a casa, na medida em que Kubrick (1928-99) viveu as quatro últimas décadas da sua vida em Inglaterra (Londres e arrabaldes), rodou aí todos os seus filmes a partir de 1961, e tem hoje o seu arquivo à guarda da University of the Arts, London. Para Kubrick, os locais reais eram uma distração; faltava-lhes a “simplicidade quase clássica de um estúdio de filmagem”. Por outras palavras, “o real é bom, mas o interessante é ainda melhor”.

A conceção e realização de uma exposição sobre Kubrick seriam sempre tarefas difíceis: como representar o cineasta sem entrar na sua intimidade (que ele muito prezava e preservava)? Como conciliar a perfeição do produto acabado — a obra-prima que é cada um dos seus filmes — com as montanhas de material acumulado durante a investigação para o criar? Como recuperar a ordem no meio do caos, isto é, encontrar a agulha no meio da palha? A exposição foi-se aperfeiçoando ao longo dos anos e aumentou consideravelmente nesta versão londrina. Logo no átrio, temos o famoso ‘Durango 95’ cor de laranja — o carro que Alex (“Laranja Mecânica”, 1971) e o seu gangue roubam para mais uma noitada de extraviolência. É um dos carros mais raros e caros de sempre! Foram fabricados apenas três exemplares, usando artesanato manual, chassis de madeira, etc. (designers: os irmãos Dennis e Peter Adams). Um espaço (propositadamente) apertado confere uma certa claustrofobia à exposição. A ideia resulta, na medida em que o percurso circunvolutivo acaba por convergir no modelo do labirinto herbáceo do “Shining” (1980). Visitar esta exposição é fazer uma viagem pela mente irrequieta mas rigorosa de Kubrick.

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