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“Fazer gravuras é um descanso da pintura.” Quase 200 obras gráficas de Paula Rego apresentadas em Cascais

A faceta de gravurista de Paula Rego mostra-se em exposição na ‘sua’ Casa das Histórias, em Cascais. “Olhar para Dentro” revela o desenho como o centro do mundo da artista

Aclamada como pintora, Paula Rego tem uma vasta obra gráfica por descobrir, que se apresenta agora numa exposição que, não a esgotando, é o que de maior já se fez com as gravuras da artista. Inaugurada no dia 11 de julho na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, apresenta quase duas centenas de obras habitualmente remetidas para segundo plano, “talvez por [a gravura] ser considerada uma arte menor”, arrisca Catarina Alfaro, a curadora da exposição. “Um erro”, prossegue, uma hierarquização que a artista “nunca fez” e da qual certamente desdenharia

Um sapo ia pedir a noiva em casamento I/ A Frog he would a-wooing go I, 1989

Um sapo ia pedir a noiva em casamento I/ A Frog he would a-wooing go I, 1989

CarlosPombo

Paula Rego não está fisicamente presente — para a inauguração veio o filho, Nick Willing —, mas quem lhe conhece os temas e as obsessões não deixará de a encontrar. Distribuídas por sete salas, as obras começam por ir ao período estudantil, experimental e pouco documentado, nos anos 50, quando estudava na Slade School of Fine Art, em Londres. Nessa altura, é só a linha, o traço que sai da ponta-seca, até que no final da década começa a experimentar a água-forte e a água-tinta, técnicas de gravura em que o desenho é igualmente feito sobre a base de metal, mas usando líquidos que permitem obter manchas e meios-tons. Para a artista, em qualquer dos casos, é como um mergulho. “Quando estou a desenhar na chapa da gravura, tem mais a ver com o que está na minha cabeça do que com o mundo cá fora (...) é como nadar depois de teres estado em terra durante muito tempo, seco.” Ao contrário das telas, em que o olhar da artista se estende na direção de um cenário pré-construído, “quando começas a desenhar na chapa e mergulhas nela, é um imenso alívio dar rédea solta à tua imaginação”. Além de mais intuitivo, é mais íntimo, com uma escala menor. É, de facto, “Olhar para Dentro”, frase que dá título à exposição.

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