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“Tenho a panca de não pintar telas, não fazer aquela coisa super quadrada que condiz com o sofá”

Mário Belém é o responsável pelas capas dos Guias Expresso, distribuídos gratuitamente com o jornal a partir de 13 de julho. Mais do que ilustrações, o artista criou sete pequenos mundos [com vídeo]

Mário Belém no evento de lançamento dos “Guias Expresso — O Melhor de Portugal”

Foto: José Fernandes

Verão a espreitar à janela, ainda discreto, férias à porta. A partir do próximo sábado, 13 de julho, o jornal Expresso oferece aos leitores a coleção de Guias Expresso – O Melhor de Portugal, um convite para descobrir o país ao ritmo de sete livros que percorrem sete regiões portuguesas. A saber: o Algarve a começar; Alentejo e Ribatejo a 20 de julho; Centro a 27; Lisboa a 3 de agosto; Porto e Norte a 10; e por fim as ilhas — o guia dos Açores sai com o Expresso de dia 17 de agosto e o da Madeira a 24. Em cada guia, 10 localizações, com dicas de lazer e bem estar.

Em cada guia também uma capa feita a preceito, por Mário Belém, artista multifacetado, que quis ir além da ilustração e transformou as capas em objetos físicos, composições feitas em madeira que aproveitam as características (e os ícones) deste Portugal de lés-a-lés. O Vida Extra encontrou-o no lançamento dos Guias, junto às peças que fez nascer.

Uma das peças de Mário Belém, para ilustrar o Guia de Lisboa

Uma das peças de Mário Belém, para ilustrar o Guia de Lisboa

Foto: José Fernandes

Podia ter optado por fazer sete ilustrações, mas fez toda esta parafernália que aqui vemos. Porquê?

Tinha feito uma experiência destas há relativamente pouco tempo e estava cheio de vontade de fazer mais uma série nessa direção. E isto era uma boa oportunidade, porque cada região permitia partir de um ponto de vista distinto. Um vaso, uma caixa de correio, uma pipa. Esse era o desafio e eu gosto muito disso.

De ir além da ilustração?

É uma panca que eu tenho: não pintar telas, não fazer aquela coisa super quadrada que condiz com o sofá. Gosto muito de trabalhar com madeira e tenho ficado fascinado com essa ideia de como conseguir dar volumetria às peças. Como é que uma parede consegue saltar cá para fora.

E parte-se sempre do objeto?

Às vezes. Por exemplo, no caso da Nazaré, havia a canastra. Eu queria a cesta. Tinha a certeza que queria, mas não sabia o que havia de fazer com aquilo. Fiquei tão obcecado que fui à Nazaré comprar uma cesta. Havia outros casos, como a pipa, que queria usar mas também não sabia como, queria o Vale do Douro com o barquinho. Mas depois há imagens que saltam e começamos a conjugar.

Com objetos que vão além das regiões?

Não é ir além, é ir atrás. O que eu quero dizer com isto é: vais fazer sobre Lisboa e escolhes a ponte 25 de Abril? Há coisas que associas a uma região sem precisarem de ser exatamente um ícone dessa região.

Através de experiências pessoais?

Sim, acho que hoje em dia é tudo tão branding e comercial, que é bom fazer coisas que remetam para um plano mais confortável.

Fugir a clichés?

É um bocado por aí. A nível de objetos é engraçado como há alguns que, quando estás no esboço, achas que vão ser muito giros e não funcionam tão bem... E depois há outros que são a surpresa. O meu favorito acabou por ser o do Centro, aquele dos cestos. Porquê? Não sei, é a misturada, a composição ficou super bem.

Em primeiro plano, a composição da capa do livro sobre o Centro de Portugal, no dia da apresentação dos Guias Expresso

Em primeiro plano, a composição da capa do livro sobre o Centro de Portugal, no dia da apresentação dos Guias Expresso

Foto: José Fernandes

E houve algum especialmente difícil?

O que eu achei que no esboço ia ficar muito bom e depois não funcionou assim tão bem foi o dos Açores, que ficou um bocadinho mais disperso. São nove latas a representar as nove ilhas.

Portugal é tido como um país difícil para artistas, com um mercado pequeno. O que mais lhe agrada no país enquanto artista?

Eu não tenho nada esse ponto de vista. Acho que uma das coisas que temos mais a nosso favor é a nossa cultura. Temos imensas coisas por onde se pode pegar e que nos distinguem bastante no panorama internacional. Se calhar em Portugal é um bocado mais difícil ganhar dinheiro, mas vive-se muito bem e dá para fazer coisas muito criativas e muito giras. Sou muito orgulhoso de ser português.

Viajar faz parte do trabalho?

Faz decididamente parte do trabalho, abre-te a cabecinha.

Dizia que se sentia mais ilustrador, que artista era demasiado. Ainda sente o mesmo?

A ilustração é considerada por muitos como uma arte menor. Eu não acho nada. Eu prefiro sempre dizer que sou ilustrador, apesar de fazer muitas outras coisas. Até porque o ponto de partida é sempre a ilustração. Começas sempre pelo esboço, que dá azo depois à peça toda. Eu gosto de fazer estes projetos curtos. Este normalmente demoraria dois meses, mas por causa dos prazos, tive de fazer em 15 dias. Chegou ali a uma altura em que já não via nada à frente.

O que lhe falta descobrir em Portugal?

Nunca fui ao Gerês, é uma loucura gigante. Quero imenso ir.

Mário Belém, o artista que criou os mundos dos “Guias Expresso — O Melhor de Portugal”

Guia Alentejo e Ribatejo

Guia Alentejo e Ribatejo

Foto: José Fernandes

Detalhe do Guia Expresso de Lisboa

Detalhe do Guia Expresso de Lisboa

Foto: José Fernandes

Guia dos Açores

Guia dos Açores

Foto: José Fernandes

Detalhe do Guia Expresso de Lisboa

Detalhe do Guia Expresso de Lisboa

Foto: José Fernandes

Representação da caixa da coleção de Guias Expresso

Representação da caixa da coleção de Guias Expresso

Foto: José Fernandes

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