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“Stranger Things 3” já foi visto (pelo menos) por 40,7 milhões. Criadores contam tudo sobre a nova temporada

Os novos episódios da série criada pelos irmãos Duffer estão a ser um sucesso na Netflix

Tina Rowden/Netflix

Sucesso que se tornou fenómeno de popularidade, maior do que se previa quando a série criada pelo irmãos Duffer foi acolhida no seio da Netflix, “Stranger Things” voltou a bater recordes. Em apenas quatro dias, a terceira temporada da série foi vista por um total de 40,7 milhões de contas, de acordo com os dados divulgados pelo gigante do streaming, um número que ficará decerto aquém do real (uma vez que esta pode ter sido vista em mais do que um perfil). O registo é o mais alto de sempre para uma série em qualquer plataforma num período temporal tão curto e essa é a prova de que a pressão é cada vez maior.

Para superar o desafio, “Stranger Things” contou com a presença contínua dos criadores, que prepararam a terceira temporada quase ininterruptamente desde que terminaram a segunda. “Tirámos duas semanas e desde aí que tem sido ‘Stranger Things 3’, estamos a trabalhar todos os dias, estamos a trabalhar aos fins de semana”, contam em declarações exclusivas enviadas ao Expresso. E nesta terceira leva de episódios renovaram também a promessa de se manterem fiéis às origens. “A nossa abordagem nunca mudou”, garante Matt Duffer, alheio à tal pressão do sucesso que um fenómeno de massas como “Stranger Things” decerto trouxe para as suas vidas. “Só escrevemos o que consideramos cool, o que nos entusiasma.”

Ainda assim, os novos capítulos obrigaram a alguns acertos face aos anteriores. Se já sabiam que Billy Hargrove (Dacre Montgomery) seria o vilão central, depois de ser introduzido no último lote de episódios, existem outras decisões que obrigaram a pensar além da narrativa já definida.

Queriam “trazer nova vida a Hawkins, assim como novas personagens que não estão ao corrente destes acontecimentos sobrenaturais” e essa é uma missão que já pode considerar-se cumprida. “É sempre entusiasmante para uma nova personagem descobrir a verdade sobre o que se passa” naquele lugar. E esse entusiasmo nasce de um sentimento partilhado pelos próprios criadores quando têm algo novo para apresentar.

Sem que o lado sobrenatural da série seja esquecido, houve um reforço da nostalgia dos anos 1980 — que também garantiu parte do sucesso através de um sentimento de proximidade face à ação. Assim, a introdução do centro comercial e do cinema na história acaba por fazer a ligação entre a realidade e a ficção — onde nem a data da estreia de “Regresso ao Futuro”, o fim de semana do 4 de julho de 1985, foi esquecida.

Quanto à fotografia, os tons da série, que agora se centra no último verão antes da entrada na escola secundária, são mais claros (refletindo a estação do ano), mas desengane-se quem considerar que esta será uma temporada mais leve. “A paleta de cores é muito diferente este ano”, mas traz consigo uma certa “tristeza e sofrimento pelo qual estas crianças estão a passar”.

Tina Rowden/Netflix

Em tempo de mudança acelerada pela adolescência, Eleven (interpretada por Millie Bobby Brown) é das que terão um salto maior. “Ela está, de certa maneira, a fazer a transição para o mundo” que a rodeia, explica Ross, frisando que esta será gradual. Em causa está o medo de que o Governo continue a monitorizar os acontecimentos em Hawkins e que a jovem ainda esteja em perigo, numa altura em que cresce a proximidade entre Eleven e Mike (Finn Wolfhard). Por outro lado, Will (Noah Schnapp) e Dustin (Gaten Matarazzo) estão a ser deixados de parte. É como se o seu mundo estivesse virado do avesso.

Já quanto ao Upside Down, a realidade paralela que acompanha a história de “Stranger Things” desde o início, tem novos desenvolvimentos, com os russos a entrarem na ação com um maior protagonismo. “Os russos estão literalmente por baixo de nós, a tentar reabrir o portal que a Eleven fechou no ano passado”, avançou Matt Duffer sem desvendar demasiado.

As expectativas já estavam elevadas, mas o irmão Ross não resistiu a fazê-las crescer ainda mais. Para o cocriador de “Stranger Things”, esta é “sem dúvida a maior e mais desafiante temporada” que já fizeram, tanto em termos de efeitos visuais como do número de localizações de rodagem ou dos estúdios construídos — onde se inclui um centro comercial em tamanho real. O resultado final está disponível desde quinta-feira, dia em que os oito capítulos da terceira temporada se estrearam na Netflix.