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À conversa com Alejandro Aravena: “As cidades são veículos poderosos de criação de riqueza"

O arquiteto chileno, Prémio Pritzker de Arquitetura, defende a urgência da construção de casas económicas para um milhão de pessoas por semana, sob pena de se gerar uma bomba-relógio social

Rui Duarte Silva

Deslocou-se ao Porto para falar sobre habitação social e económica num congresso internacional organizado pela Faculdade de Arquitetura, e pôs a nu os desafios colocados à arquitetura em particular nos países em desenvolvimento e num mundo com milhões de pobres.

Quais são as perguntas que hoje se colocam a um arquiteto?

No escritório temos de tomar tempo para produzir as respostas. Mas as perguntas não estão no escritório, estão lá fora, no mundo. A nossa maneira de participar e contribuir para as discussões que interessam aos cidadãos é através dos projetos. 80% do nosso tempo são a fazer projeto, mas há uma dimensão que passa por ter influência na opinião pública, tratar de gerar políticas públicas que mudem a regra do jogo quando o projeto mostra que essas regras não são as que estão a gerar o maior bem comum.

É o problema da política das cidades?

Vivemos num momento da história que se poderia descrever como a idade das cidades, o que em princípio é uma boa notícia. As cidades são veículos muito poderosos de criação de riqueza, e de redistribuição de qualidade de vida através de políticas públicas. São caminhos para a igualdade. São ímanes que atraem pessoas porque concentram oportunidades. De trabalho, de educação, saúde, transportes, recreio. O problema é a escassez de recursos para responder ao fenómeno de pessoas que vão à procura, num processo sem precedente na história da humanidade, das oportunidades que as cidades concentram. De três mil milhões de pessoas que vivem hoje em cidades, há mil milhões abaixo do nível de pobreza. Se não formos capazes de construir uma cidade para um milhão de pessoas por semana, com 10 mil dólares por família, vamos gerar uma bomba-relógio social.

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