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Entrevista exclusiva a Brad Pitt e Leonardo diCaprio: “Filmar com Tarantino é uma viagem de montanha-russa”

Nunca tinham contracenado, mas algum dia teria de acontecer — e foi pela mão de Quentin Tarantino em “Once Upon a Time... in Hollywood”. Leonardo DiCaprio interpreta Rick Dalton, um ator de TV a tentar singrar em Hollywood na Los Angeles de 1969; Brad Pitt é Cliff Booth, o seu duplo e best buddy. Para o realizador, eles são a dupla de ficção que se vai encravar na engrenagem da realidade histórica

Francisco Ferreira

enviado a Cannes

D.R.

Damos a palavra a duas das maiores estrelas de cinema do nosso tempo, numa entrevista no Hotel Carlton de Cannes que, muito provavelmente, foi para nós um once in a lifetime... Esta é a nossa primeira take em torno do opus 9 de Tarantino, “Once Upon a Time... in Hollywood” — a segunda virá no início de agosto, com a estreia do filme nas salas.

Como é possível nunca terem entrado juntos num filme até agora?

Brad Pitt (B.P.) — Eu estava sob a alçada de uma ‘providência calcular’ [risos] que me impediu de trabalhar com o Leo e que expirou agora, quando o Quentin nos chamou... O que eu acho fantástico é que ele é cabeça de cartaz nos filmes dele, eu nos meus, mas agora que os nossos caminhos se cruzaram essa questão nem se colocou.

A cabeça de cartaz de um filme de Quentin Tarantino será sempre...

B.P. — ...o próprio Quentin Tarantino, that’s it! Todos nós aparecemos para um filme de Quentin.

Neste filme de amizade, ficaram amigos?

Leonardo DiCaprio (L.C.) — Sem dúvida!

B.P. — Alto lá, que eu ainda estou a digerir isso! [risos] No filme, a minha personagem depende da dele. Nós falámos muito disso e da relação que os atores e os seus duplos tinham naquela altura, isso não existe mais no cinema de hoje. Falámos muito de Steve McQueen e do seu buddy, que o dobrou no famoso salto em “The Great Escape” [John Sturges, 1963]. Não havia estes coordenadores de duplos em que confiamos hoje. No nosso caso, é a equipa extraordinária de Zoë Bell [que coordena a equipa de duplos de todos os filmes de Tarantino desde os dois volumes de “Kill Bill”]. Naquele tempo, os atores tinham os seus duplos privados, ensaiavam com eles as suas próprias lutas, estavam muito ligados. Eram como marido e mulher na vida profissional.

Rick Dalton diz às tantas no filme: “I’m doing my best...”

B.P. — E ele está está a falar a sério. O seu trabalho é uma luta pela sobrevivência.

L.C.— O trabalho de ator é sempre arriscado. Com Quentin, é mais do que isso: é uma viagem de montanha-russa. E, ao mesmo tempo, uma corrida de fundo. O Brad e eu somos quase da mesma geração, demo-nos a conhecer quase ao mesmo tempo, porque, embora ele seja mais velho, eu comecei mais cedo. Acho que ambos sabemos que há oportunidades que são one single shot, em que temos de dar o melhor que podemos. E “Once Upon a Time...” foi uma delas.

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