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Conheça os números que (ainda) salvam os livros

O fatalismo do mercado literário parece por esta altura um dado adquirido: já ninguém compra livros e as livrarias assemelham-se a uma espécie em vias de extinção. Apesar de tudo, existem dados suficientes para acreditar na sobrevivência do papel (e do digital). A Feira do Livro de Lisboa 2019 começa na quarta-feira

JORG GREUEL/GETTY IMAGES

Aconteceu no dia 18 de maio, a páginas tantas de uma longa rua do Príncipe Real, em Lisboa. As palavras para descrever tal acontecimento poderão ser várias: extraordinário, surpreendente, fascinante. Os mais pessimistas, que os há bastante em redor deste tema, poderão ir mais longe e dizer que a inauguração da Livraria da Travessa é um verdadeiro milagre. E se uma simples abertura pode não chegar para se evocar tal fenómeno, acrescente-se que a recém-chegada ao Príncipe Real não foi a primeira Livraria da Travessa a abrir portas: foi a décima. Mais: a livraria chega do Brasil, onde já existem nove ‘Travessas’, trazida pelo impulso do sucesso do negócio em terras de Vera Cruz, numa altura em que o normal é as livrarias resistirem até deixarem de resistir, e não abrirem novinhas em folha, prontas a entrar num mercado em crise.

Mas, e o mercado, está mesmo em crise? A pergunta é complexa, portanto fiquemo-nos pelos números. A Federação Europeia de Editores, dirigida pelo editor português Henrique Mota e que representa 29 associações nacionais de editoras — incluindo a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros — estima que em 2017 as vendas de livros na Europa tenham chegado aos 22,2 mil milhões de euros, um número similar ao de 2016 e que prova uma recuperação depois da crise económica: em 2008, as vendas chegaram quase aos 24 mil milhões, e em 2009, com a chegada da crise à Europa, caíram mil milhões de euros. Estes números provam também que o mercado não caiu a pique e se desmoronou no vazio com a crise. De todas as vendas europeias em 2017, 47,4% foram graças a livros de ficção e não ficção, 21,2% a manuais escolares, 18,5% a livros académicos e profissionais, e 12,9% a livros destinados a crianças.

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