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Chico Buarque vence Prémio Camões 2019

Anúncio do vencedor do mais importante galardão da língua portuguesa foi feito esta terça-feira, na Biblioteca Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro. É o 31.º nome na lista e o 13.º brasileiro

O brasileiro Chico Buarque, de 74 anos, é o vencedor do Prémio Camões de 2019, tornando-se assim o primeiro músico a ser distinguido. O anúncio foi feito esta terça-feira, na Biblioteca Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro, cidade natal do também romancista e poeta. Chico Buarque torna-se assim o 31.º nome a fazer parte da lista do mais importante galardão da língua portuguesa.

Chico Buarque é conhecido como um dos maiores nomes da música popular brasileira (MPB) e tem uma discografia com aproximadamente 80 títulos e 17 álbuns de estúdio, sendo o primeiro "Chico Buarque de Hollanda", de 1966. Para além disso, tem vários livros publicados, datando o seu primeiro romance, "Fazenda Modelo", de 1974. Tem igualmente escrito frequentemente para teatro, sendo um dos textos mais famosos a "Ópera do malandro", baseada na "Ópera dos mendigos", de John Gay, e na "Ópera dos três vinténs", de Bertolt Brecht e Kurt Weill.

Apesar de ser mais conhecido como músico, o Prémio Camões está longe de ser a primeira distinção no campo literário. Já tinha recebido por três vezes o Jabuti, o mais tradicional prémio brasileiro: em 1992 por "Estorvo", em 2006 por "Budapeste" e em 2010 por "Leite Derramado". "O Irmão Alemão", de 2014, foi o seu mais recente romance a ser publicado.

O júri que decidiu o sucessor do romancista e contista cabo-verdiano Germano Almeida - autor de "A ilha fantástica", "Os dois irmãos" e "O testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo", entre outras obras - era composto por Manuel Frias Martins, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e presidente da Associação Portuguesa de Críticos Literários, Clara Rowland, professora associada da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Antonio Cícero, ensaísta e poeta brasileiro, Antonio Hohlfeldt, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Ana Paula Tavares, poeta e professora universitária angolana, e Nataniel Ngomane, professor da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo.

Já 13 brasileiros e 12 portugueses receberam o prémio

O Prémio Camões de literatura em língua portuguesa foi instituído por Portugal e pelo Brasil em 1988, com o objetivo de distinguir um autor "cuja obra contribua para a projeção e reconhecimento do património literário e cultural da língua comum".

Tem um valor de 100 mil euros e foi atribuído pela primeira vez, em 1989, ao escritor Miguel Torga. Os outros portugueses galardoados foram Vergílio Ferreira (1992), José Saramago (1995), Eduardo Lourenço (1996), Sophia de Mello Breyner Andresen (1999), Eugénio de Andrade (2001), Maria Velho da Costa (2002), Agustina Bessa-Luís (2004), António Lobo Antunes (2007), Manuel António Pina (2011), Hélia Correia (2015) e Manuel Alegre (2017).

Para além de Chico Buarque, os outros 12 brasileiros distinguidos são João Cabral de Melo Neto (1990), Rachel de Queiroz (1993), Jorge Amado (1994), António Cândido (1998), Autran Dourado (2000), Rubem Fonseca (2003), Lygia Fagundes Telles (2005), João Ubaldo Ribeiro (2008), Ferreira Gullar (2010), Dalton Trevisan (2012), Alberto da Costa e Silva (2014) e Raduan Nassar (2016).

Ao todo, um angolano, dois cabo-verdianos, dois moçambicanos, 12 portugueses e 13 brasileiros receberam o Prémio Camões. Em 2006, o luso-angolano José Luandino Vieira recusou a distinção.