Perfil

Vida Extra

Feira Internacional de Madrid vai estudar alternativas à Cordoaria para a ARCOlisboa

ARCOLisboa começa esta quarta-feira

A Feira Internacional de Madrid (IFEMA), que coorganiza a ARCOlisboa, vai estudar alternativas à Cordoaria Nacional para instalar o certame no futuro, segundo o diretor-geral da empresa espanhola, Eduardo López-Puertas.

"Esta edição [da ARCOlisboa] já está em plena montagem, mas para futuras edições iremos avaliar alternativas que se apresentem de espaços para exposições", disse López-Puertas em entrevista à agência Lusa.

A ARCOlisboa será inaugurada, para colecionadores e profissionais,esta quarta-feira, e será aberta ao público entre terça e domingo. Um total de 71 galerias, a maior parte delas de Portugal e de Espanha, participam na edição deste ano desta feira de arte contemporânea.

Eduardo López-Puertas é da opinião de que a Cordoaria Nacional, onde se realiza o certame, é um edifício "emblemático e muito original", mas reconhece que o espaço é "limitado", o que poderá levar a uma mudança de local no futuro.

Mudar o local da ARCOlisboa "é uma possibilidade que temos, se encontrarmos um sítio melhor, que seja mais emblemático, e que nos dê uma maior capacidade", disse à Lusa o diretor-geral da IFEMA.

A Fábrica Nacional de Cordoaria ou Cordoaria Nacional, como é conhecida, está classificada como Monumento Nacional e foi um estabelecimento fabril da Marinha Portuguesa onde se fabricava cabos, cordas de sisal, velas e bandeiras que equipavam os navios portugueses de 1779 até 1998. A IFEMA considera que a imagem da ARCOlisboa é mais importante do que eventuais benefícios económicos que possa gerar.

"A ideia da ARCOlisboa é que seja uma imagem emblemática do projeto ARCO e tentamos apenas cobrir os custos", afirmou o diretor-geral da IFEMA, insistindo que se pretende ter "uma feira de qualidade e de muito alto nível".

Eduardo López-Puertas manifestou-se "muito satisfeito" com "coorganização" da ARCOlisboa com a câmara municipal da capital portuguesa, um projeto "que já está consolidado " e que coloca Lisboa "no mapa das grandes feiras internacionais de arte contemporânea". "Nós temos a 'expertise' e com a câmara municipal [de Lisboa] fizemos um projeto claramente ganhador", disse López-Puertas à Lusa.

O diretor da IFEMA recordou que a primeira edição da ARCOlisboa foi organizada apenas pela empresa espanhola, mas que a parceria feita em seguida com a autarquia de Lisboa tem dado "frutos estupendos". Por outro lado, a empresa está a "estudar" a exportação para Portugal de outros "projetos ganhadores" em Espanha.

"Estamos a estabelecer contactos em Lisboa, no Porto e noutras cidades interessantes de Portugal onde podemos levar estes projetos, que são projetos muito ganhadores hoje em Madrid", disse López-Puertas.

Criada há quase 40 anos, a IFEMA é atualmente o maior organizador de feiras em Espanha e um dos maiores em todo o mundo, tendo iniciado a sua internacionalização há três anos."O que posso dizer é que estamos a trabalhar arduamente: o departamento internacional já estabeleceu uma série de conversações e estamos a tentar fechá-las", disse o diretor-geral da IFEMA, que se escusou revelar casos concretos.

Presente no estrangeiro principalmente em vários países da América Latina, a empresa ainda não está instalada no maior deles, o Brasil, mas assegura que tem "alguns projetos" em vista.

A IFEMA teve lucros de 10,8 milhões de euros em 2018, com resultados antes de impostos, juros, depreciações e amortizações (EBITDA) de 27,7 milhões de euros e uma faturação que alcançou os 138,5 milhões de euros.

Os certames organizados pela IFEMA têm um impacto económico em Madrid muito mais importante do que os resultados que a empresa apresenta.A Feira Internacional de Madrid estima que em 2018, os participantes nos inúmeros certames ao longo do ano gastaram cerca de 4.374 milhões de euros se se contarem também as despesas feitas em hotéis, alimentação e transportes, entre outras.