Perfil

Vida Extra

O festival norte-americano Burning Man é uma loucura. E agora vai receber a primeira instalação portuguesa

O evento decorre em agosto no deserto do Nevada e conta, pela primeira vez, com a presença de uma instalação portuguesa. Chama-se “O Nome da Rosa”

“Burning Man”

“Burning Man”

Guy Prives

Os criadores do Burning Man consideram que o evento não é um festival, mas sim uma cidade onde os participantes se juntam e criam o ambiente de Black Rock City: uma metrópole temporária dedicada à comunidade, à arte, à auto-expressão e à auto-confiança. Só que esta cidade é construída de propósito no deserto do Nevada, todos os anos, durante uma semana, para dar lugar à criatividade artística.

O nome do evento vem de um ritual que se repete — ano após ano, é queimado um enorme boneco de madeira, em figura de homem, como forma de encerrar o Burning Man — e desta vez não será diferente. O evento terá lugar de 25 de agosto a 2 de setembro.

E as diferenças face aos outros festivais não se ficam por aqui. O Burning Man não tem um cartaz de atuações ou uma programação de performances — tudo vai acontecendo de forma inesperada — mas é certo que contará com exposições, espetáculos de artes performativas, música e instalações artísticas e que este ano terá uma grande novidade.

O Burning Man conta, pela primeira vez, com a presença de uma instalção artística portuguesa. Intitula-se “O Nome da Rosa” e é da autoria do dramaturgo Nuno Paulino, em conjunto com a companhia de teatro que criou, o Artelier?.

Tal como a maior parte das instalações do festival, esta peça conjuga a arte com a ciência para produzir um efeito de fogo, já característico das obras criadas por Nuno Paulino e pela sua companhia, que “são capazes de desenvolver formas perfeitas em esculturas de fogo”, com a ajuda da luz solar.

Este projeto serve também para refletir sobre as fontes de energia que usamos todos os dias e para consciencializar os espectadores acerca das energias renováveis, sustentáveis e alternativas que se encontram à nossa disposição. “O Nome da Rosa” representa os quatro pontos cardeais com a Deusa Mãe no centro, simbolizando a procura por novas direções.

“É uma escultura interactiva e de fogo, uma presença inspiradora de dia e de noite, geradora de bioenergia por ação do sol e da interação humana”, explica a companhia. Neste vídeo, pode ver como tudo vai acontecer.

“Burning Man”

“Burning Man”

Dave Meas/ Andrew Wyatt

Nuno Paulino dá nome ao projeto e idealizou a forma como este vai ser posto em prática, mas quem fez as ilustrações de cada peça que compõe o projeto final foi José Baetas, e a instalação foi fabricada pelos estúdios da OVNI.

O projeto teve início em 2017, quando o criador conheceu um dos responsáveis pelo “Burning Man” num festival internacional de teatro. Nuno Paulino esteve no evento americano nos últimos dois anos para conhecer o local e a forma como o festival ganha vida. Só assim foi possível criar uma obra que resistisse ao clima do deserto e a todas as suas adversidades.

“O Nome da Rosa” foi destacada com o prémio “Honoraria Grant”, que distingue e financia parcialmente as principais criações do festival de Black Rock City. Ainda assim, a companhia “Artelier?” precisa de mais fundos para conseguir levar a peça aos Estados Unidos. Para isso, foi criada uma campanha de angariação de fundos para cobrir as despesas de transporte da peça. A organização conta conseguir angariar mais de 12 mil euros na plataforma Indiegogo. O projeto custa cerca de 45 mil euros mas o “Burning Man” só financia cerca de nove mil. A Direção Geral de Artes e a autarquia de Loures (cidade de origem da companhia) também estão a patrocinar a presença de “O Nome da Rosa” no deserto do Nevada.

Para saber mais, pode consultar o site do projeto.