Perfil

Vida Extra

Michael Cunningham muda-se para Cascais, onde há fotografias icónicas e gravuras de Paula Rego

Fotógrafos icónicos, Paula Rego e Michael Cunningham em Cascais até outubro

O escritor Michael Cunnhingam estará em Matosinhos

Theo Wargo

Uma exposição de fotografias icónicas do século XX e outra de gravura de Paula Rego, bem como uma residência literária de Michael Cunningham, são algumas das propostas da programação da Fundação Dom Luís I, em Cascais, até outubro.

O presidente da Fundação Dom Luís I, Salvato Telles de Menezes, apresentou hoje a programação cultural de maio a outubro, a decorrer em vários equipamentos culturais de Cascais.

Uma das principais novidades é uma exposição, que é inaugurada hoje e fica patente até 14 de julho, no Centro Cultural de Cascais, de algumas das fotos mais emblemáticas do século XX e que inclui obras de fotógrafos como Man Ray, Robert Doisneau, Robert Capa ou Henri Cartier-Bresson.

Partindo do acervo do colecionador espanhol Julián Castilla, a mostra "Instantes decisivos" traça o percurso da fotografia desde as vanguardas do século XX até aos dias de hoje, em vários estilos artísticos, através de imagens que ficaram para a História, como "O Violino de Ingres", de Man Ray, "O beijo do Hotel de Ville" e "Os pães de Picasso", de Robert Doisneau, ou "O soldado caído" na Guerra Civil Espanhola, de Robert Capa.

"Também podemos estar perante uma das fotografias mais pessoais de Pablo Picasso, que com uma sombrinha protege do sol a sua companheira, na altura, Françoise Gillot, um momento único" captado também pela objetiva de Robert Capa, destaca a comissária da exposição, María Toral.

Esta seleção também inclui instantâneos com outros temas, como os de Alfred Stieglitz, que têm como protagonistas as linhas de comboio, emblemas da revolução nas comunicações.
No que se refere a retratos, é possível encontrar uma enorme variedade, que vai de uma famosa foto de Che Guevara pela lente de Alberto Korda, até à de James Dean, caminhando numa rua chuvosa, de gabardine e cigarro na boca, captada por Dennis Stock, passando por um retrato de Audrey Hepburn, por Terry O'Neil.

Entre estas quase 80 fotografias, figuram ainda obras que testemunham os rostos das ruas, de Cartier-Bresson, ou situações históricas e momentos chave da sociedade, como os instantâneos de Carlos Saura e William Klein.

Outro destaque desta programação é a residência literária do escritor norte-americano Michael Cunningham, entre maio e junho, durante a qual o autor - vencedor do prémio Pulitzer para ficção em 1999 pelo seu romance "As Horas" - participará em jantares quinzenais com convidados, no festival literário Literatura em Viagem (LeV), em Matosinhos, e numa 'masterclass' aberta ao público e a estudantes de escrita de ficção.

Os programadores anunciaram ainda as futuras residências literárias, que contarão com a presença do escritor inglês Jonathan Coe, de outubro a dezembro, com o espanhol Javier Cercas, entre abril e junho de 2020, a quem se segue o cabo-verdiano Germano Almeida, de outubro a dezembro.

No dia 11 de julho, inaugura-se uma exposição de gravura de Paula Rego, na Casa das Histórias, que ficará patente até 17 de novembro, e que incluirá 182 peças, entre desenhos, chapas de zinco e gravuras, em que se incluem doações da artista, através do filho Nick Willing.

Esta mostra gráfica, intitulada "Paula Rego: Looking in", com curadoria de Catarina Alfaro, completa a coleção de obra da artista pertencente à Câmara Municipal de Cascais, através da Casa das Histórias, que, entretanto, prolongou até 23 de junho a exposição "Paula rego: Anos 80", devido à elevada afluência de público.

O Centro Cultural de Cascais recebe a partir de 05 de julho, e até 12 de outubro, uma mostra do trabalho do ilustrador e fotógrafo de moda Antonio Lopez, cujos trabalhos se tornaram conhecidos pela subversão da linguagem visual.

Esta exposição explora vários aspetos daquele ilustrador de moda, que incluem a ilustração, a fotografia e um documentário sobre o seu processo criativo.

No mesmo mês, abre ao público uma outra exposição, do artista japonês Yamamoto Sohei, que se estreia em solo português com uma obra pictórica que testemunha a vida quotidiana como forma de riqueza, e que se intitula "Portugal -- Poesia sem números".

No que respeita a espetáculos musicais, o Cascais MPQ, anterior Moscow Piano Quartet, apresenta em junho cinco programas que percorrem obras do repertorio clássico e romântico, no Centro Cultural de Cascais, ao passo que a Nova Ópera de Lisboa interpreta "Dido & Aeneas", em julho, no Auditório do Casino do Estoril.

Em setembro, há lugar para cinema, com um ciclo de homenagem a Walter Hill, no auditório do centro cultural, que inclui os filmes "The Warriors", "Hard Times", "Wild Bill", "Red Heat", "Long Riders" e "Streets of Fire". No Dia Internacional dos Museus, em 18 de maio, haverá várias iniciativas a decorrer no Bairro dos Museus, entre exposições, visitas orientadas, sessões de teatro, música ou leitura de contos.

Entre 25 de maio de 23 de junho, o paredão do Passeio Marítimo do Estoril vai ser palco de várias obras de arte de quatro escultores convidados -- Carlos No, Carlos Menino, Cecília Costa e Teresa Braula Reis -- sob o tema "Fronteiras Liquidas", o ambiente e os limites entre o mar e terra.

A programação conta ainda com uma exposição da artista plástica espanhola Rosa Rubio, intitulada "Praxis", que parte do termo grego para pensar os sete pecados mortais, através de um trabalho interdisciplinar que engloba pintura, grafite, gesso, cerâmica, sal e instalação de vídeo, patente entre setembro e novembro.

  • Filme francês evoca caso de pedofilia
    10:54

    "Graças a Deus" evoca um caso de pedofilia que abalou a sociedade francesa, tendo como protagonista um sacerdote católico — com realização de François Ozon, é a principal estreia da semana. João Lopes comenta ainda o lançamento de "Coração Negro", de Rosa Coutinho Cabral; no DVD, surge em destaque a edição de um conjunto de curtas-metragens assinadas por Fernando Lopes.

  • "Só Chove e é Rápido" no Teatro do Bairro
    5:50

    No dia em que os agentes culturais decidiram sair à rua em protesto contra o modelo de apoios do Estado para a cultura estreia um espetáculo feito sem financiamento do Ministério da Cultura. Com texto, encenação e interpretação de Francisco Tavares, "Só Chove e é Rápido" pode ver-se no Teatro do Bairro, em Lisboa. Francisco Tavares foi o convidado do Cartaz.