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Os 100 anos de Sophia, sem nenhuma aldrabice, para ver na Gulbenkian

As celebrações dos 100 anos do nascimento da escritora na Fundação Gulbenkian, a 16 e 17 de maio

Era um poema limpo e rigoroso. De forma mais clara: era um poema sem “nada de coisas farfalhudas, nada de aldrabices.” As palavras são da poetisa Adília Lopes para descrever o “No Poema”, da obra Livro Sexto. Um poema que lhe foi particularmente útil: primeiro porque tinha 17 anos (e os poemas são sempre úteis, mas talvez ainda mais quando se tem 17 anos); segundo, porque Adília estudava física, e o poema "desentropiava": ajudava a ciência a organizar-se e a permanecer organizada, “preservava da decadência, morte, e ruína.” E é por isso que agora, todos estes anos depois, Adília Lopes está agradecida à autora do “Livro Sexto”, Sophia de Mello Breyner Andressen.

Passaram 57 anos desde a publicação de Livro Sexto, e 42 desde que Adília Lopes o descobriu. Se fosse viva, Sophia comemoraria este ano 100 anos de vida, e a sua obra continua actual e presente. E é exactamente para comemorar o seu centenário que a Fundação Calouste Gulbenkian está a organizar o II Colóquio Internacional sobre a escritora, nos próximos dias 16 e 17 de maio. Adília Lopes participará no primeiro dia, às 11h30 da manhã, num espaço justamente intitulado “Adília sobre Sophia”, mas não será a única com coisas para dizer sobre a poetisa. A abertura ficará a cargo de Guilherme d’Oliveira Martins, a filha Maria Andresen de Sousa Tavares, e Fernando Cabral Martins.

Ainda no primeiro dia, Helder Macedo (professor catedrático da Universidade de Londres e investigador da Universidade de Oxford) irá dialogar com os ouvintes sobre o conto infantil da autora “O rapaz de bronze”, e de como esta história para crianças é mais adulta - e nostálgica - do que parece à primeira vista. Sobre a imensidão do mar, um dos pilares da obra da autora, seguir-se-á “O caminho para a minha casa”, por Helmut Siepmann. Pedro Eiras, Anna M. Klobucka, Paola Poma e Richard Zenith serão alguns dos outros nomes presentes no primeiro dia do Colóquio.

No dia seguinte - 17, sexta-feira - vão ser debatidos temas tão diversos como a Nudez e a Revelação Poética na Grécia imaginada de Sophia (por José Pedro Serra), ou como é que a obra da escritora portuguesa é traduzida e analisada em Espanha (por Filipa Soares). Passando pela reconhecida história infantil d“O Cavaleiro da Dinamarca”, mas sem se cingir a ela, Fernando J. B. Martinho vai analisar a importância das origens dinamarquesa na literatura de Sophia. Uma literatura limpa, atual, sem nenhuma aldrabice.

A entrada é livre. Pode conferir o programa completo aqui.

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