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Uma imagem, uma história. Quem é a menina a fumar na foto de Ellen Mark?

Se uma imagem vale mil palavras, quantas histórias cabem nela?

Mary Ellen Mark / LIFE

O título da fotografia dá logo uma pista: Amanda and her cousin Amy (“Amanda e sua prima Amy”) é um retrato captado por Mary Ellen Mark, há praticamente 30 anos (1990). A fotógrafa ficou conhecida por muitos outros retratos, quase sempre à volta de imagens representativas da pobreza e da violência nos subúrbios norte-americanos, mas passando também por Índia e Itália. Em muitos deles, os adolescentes aparecem, às vezes até com armas. Mesmo assim, Amanda e a prima Amy ficaram para sempre gravadas na memória de quem olhou os olhos na fotografia de Ellen Mark.

Incumbida de fazer um trabalho sobre “crianças problemáticas” no estado da Carolina do Norte, para a revista LIFE, Ellen Mark encontrou várias, nenhuma como Amanda. Recordou um par de anos depois que a postura desafiadora daquela menina de 9 anos a conquistou. Além da reprodução de uma série de comportamentos aparentemente reservados a adultos, como o cigarro, as unhas postiças, a maquilhagem, toda a pose de Amanda é provocatória, expelindo o fumo na direção da câmara.

A história que se seguiu vem contada na National Public Radio (NPR), que foi atrás dela logo após a morte da Mary Ellen Mark, em maio de 2015. A estação norte-americana encontrou Amanda Marie Minton 25 anos mais velha, com 34, já com um novo apelido, de casada (Ellison), mas numa situação ainda “tumultuosa”.

Numa entrevista de quatro minutos, que pode escutar aqui, a jovem admite que era uma criança “fora de controlo”, que fumava com frequência (daí a pose tão relaxada que já apresentava de cigarro na mão) e que aos 15 anos entrou para o mundo da droga. De lá para cá, passou por orfanatos, casas de correção e mais tarde pela prisão, mas diz que se pudesse ver Ellen Mark uma última vez, a fotógrafa ficaria “cheia de alegria por ver que cheguei até aqui.”

Amanda Ellison nunca mais esqueceu a fotografia, cuja localização aponta para Valdese, Carolina do Norte. Hoje a viver em Lenoir, no mesmo estado, só a reviu quando Ellen Mark morreu e a imagem voltou a correr mundo. “Chorei”, contou.

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