Perfil

Vida Extra

Gandhi escreve a Hitler, Lewinsky escreve a Clinton. Este site reúne 900 cartas de artistas e figuras históricas

O autor chama-lhe “uma tentativa de reunir e ordenar cartas, postais, telegramas, faxes e memorandos fascinantes.” São já 900

“Letters of Note”

Ele vive para as cartas, para as listas, para livros bonitos. Shaun Usher é um editor britânico que desde 2009 se dedica a uma arte particular: a de juntar palavras escritas por outros. “Letters of Note” nasceu dessa vontade de “reunir e ordenar cartas, postais, telegramas, faxes e memorandos fascinantes” e está sempre aberto a novas descobertas e contribuições. As cartas são “digitalizadas / fotos, sempre que possível”. Quando não o é, aparecem apenas em texto. “Fakes são descartados” e Usher tem um apurado trabalho de pesquisa para não cair em ajudas mal intencionadas ou mal informadas. “Letters of Note” é “atualizado com a maior frequência possível; geralmente todos os dias da semana.”

Nele há personalidades políticas e culturais de todos os quadrantes e partes do mundo, o que contribui para a visita de mais de um milhão de leitores por semana, segundo o The Guardian, e mais de 100 milhões de visitas no total, segundo o próprio Usher. O site deu origem a um livro com o mesmo nome, publicado em 2013, que se tornou um caso de sucesso e passou das páginas para a vida através de um evento chamado “Letters Live”, uma espécie de celebração da correspondência literária.

Em “Letters of Note”, o site, há cinco formas de pesquisa: por tipo de correspondência (carta, memo, telegrama, fax); por meio de escrita (à mão ou à máquina); por data; por categoria (animação, cinema, controvérsia, política, racismo, ilustradas, tecnologia, agradecimentos, numa lista de 35 opções); e, por fim, por emissor ou recetor da missiva, onde nos cruzamos com as mais diversas figuras da história. Entre elas, destacam-se a carta de suicídio da escritora britânica Virginia Woolf, em 1941; a de Fidel Castro, na época ainda estudante, a Franklin Roosevelt, um ano antes; ou, em 1939, o apelo à paz que Mahatma Gandhi endereçou a Adolf Hitler.

A carta mais lida, porém, é de uma figura que tinha tudo para ser anónima: Jourdon Anderson foi um afro-americano escravizado durante boa parte da vida, em meados do século XIX. Após 32 anos de escravidão, juntamente com a mulher, Amanda, foi libertado por soldados norte-americanos da plantação onde até então vivia em cativeiro. Um ano depois, escreveu “Para O Meu Antigo Mestre”, uma carta que não só o imortalizou como continua a ser lida. Fica assim outra sugestão de pesquisa: a barra do lado direito do site, onde se lê, precisamente, “Most Read”, reúne as mais procuradas missivas, como a que Ronald Reagan escreveu ao filho, Michael, antes do casamento a que não pôde assistir. “Love, Dad” é uma mensagem em que o político fala de amor e compromisso, num conselho intimamente paternal.

Siga Vida Extra no Facebook e no Instagram.