Perfil

Vida Extra

Breve história das figuras carismáticas de Notre-Dame — imortalizadas num certo filme da Disney

As gárgulas existem e resistem

Stephanie Leblanc / Unsplash

A Catedral de Notre-Dame é o monumento mais visitado na Europa. Recebe mais de 14 milhões de visitantes por ano, cerca 35 mil por dia.

A catedral foi construída numa pequena ilha chamada Île de la Cité, no meio do rio Sena. A construção começou em 1163, durante o reinado do Rei Luís VII, e só terminou em 1345, quase 200 anos depois. É considerada a jóia da coroa da arquitetura gótica medieval.

Depois da Revolução Francesa, Notre-Dame ficou muito estragada — as estátuas foram destruídas e os sinos derretidos. Entrou no século XIX num estado bastante degradado. A partir de 1804, Napoleão tornou-se imperador, coroando-se ali e dando nova honra ao local. Mas foi verdadeiramente em 1831 que Victor Hugo trouxe a catedral para a cultura popular com o sucesso de “O Corcunda de Notre-Dame”. Hoje, quase 900 anos depois da sua construção, todo o mundo sentiu a enorme desgraça que se abateu sobre a catedral gótica. A UNESCO já se disponibilizou para ajudar a reconstruir o monumento que é Património Mundial da Humanidade desde 1991, depois do forte incêndio que derrubou uma das torres do monumento esta segunda-feira, 15 de abril. O grupo da Louis Vuitton e Dior também anunciou uma doação de 200 milhões de euros para a reconstrução.

Catedral de Notre-Dame

Catedral de Notre-Dame

Artistiq Dude — Unsplash

Para além de toda a magnífica arquitetura, Notre-Dame conta com a famosa presença de alguns animais decorativos na fachada, que se tornaram particularmente famosos no filme da Disney de 1996 “O Corcunda de Notre-Dame” — criaturas conhecidas por gárgulas.

A origem dos famosos animais monstruosos está na França, a partir da palavra “gargouille”, que se associa a “garganta”. Isto porque, as gárgulas, na arquitetura, são a parte saliente das calhas de telhados que se destinam a escoar águas pluviais, e na Idade Média eram ornadas com figuras monstruosas animalescas que escoavam as águas pela boca.

Para a Igreja Medieval Católica, estas figuras representavam a maldade e os demónios. Sendo colocadas na parte exterior das igrejas, protegiam estes locais, tornando-os sagrados e sítios de salvação aos olhos dos crentes.

As gárgulas originais da Catedral de Notre-Dame sofreram muitos danos de erosão devido ao clima. Algumas também foram destruídas, bem como outras partes do monumento, durante os séculos XVII e XVIII, pelo que foram reconstruídas mais tarde.

Gárgula da Catedral de Notre-Dame

Gárgula da Catedral de Notre-Dame

KaLisa Veer — Unsplash

Notre-Dame, em Paris, é celebrada como um dos mais requintados exemplos da arquitetura gótica. No final da sua construção, dezenas destas criaturas grotescas figuravam nas paredes da catedral como forma de proteção. Depois de todas as adversidades por que passou este monumento, as gárgulas são em cada vez menor número. Ainda é cedo para se saber a totalidade dos danos causados pelo incêndio desta segunda-feira. Porém, a fachada e a estrutura do prédio não foram particularmente afetadas, o que abre esperança para que também as famosas gárgulas tenham sobrevivido à catástrofe.

Abaixo recordamos um dos momentos icónicos do filme da Disney onde as gárgulas são algumas das protagonistas:

Siga Vida Extra no Facebook e no Instagram.

  • Sérgio Praia: “Houve tanta mentira e tanta gente que se aproveitou do António”

    “Variações”, a primeira longa-metragem de João Maia, com produção da “David & Golias”, estreia esta quinta-feira. A voz e o rosto da celebração são os de Sérgio Praia que, em entrevista ao Vida Extra, retrata um António determinado e frágil, “envergonhado e que falava baixinho”, cosmopolita e rústico, um “animal de caça” que adorava Iggy Pop e um homem simples “devoto de pataniscas com arroz de feijão, que preferia comer à mão”. Foram 12 anos calcorreados ao encontro de um artista “maltratado, apontado e apedrejado”, tornado “santo” depois da morte, com o único “vício de nunca ficar”

  • Vozes do Rio invisível

    No seu livro de estreia, o escritor carioca Geovani Martins escreve contos intensos, mas desiguais, sobre a vida nas favelas do Rio de Janeiro

  • Uma mulher feliz

    Moderna antes do tempo, Lou Andreas-Salomé domina os salões de uma Europa em plena Belle Époque. À vontade na felicidade e na beleza, arrasa corações e sobe degraus na sabedoria à medida que se envolve com os homens da sua vida. Avessa a convenções, livre e ousada, avança pelo mundo da psicanálise para justificar a sexualidade, a religião e o amor. Nietzsche, Rilke e Freud foram seus aliados