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GUERRA DE TEORIAS. Quem vai ficar no trono mais famoso da televisão?

Depois de oito anos e 67 episódios, uma das séries mais populares de todos os tempos vai finalmente chegar ao fim. A oitava temporada de “A Guerra dos Tronos” estreou este domingo, 14 de abril. Será que os fãs já descobriram o destino dos habitantes de Westeros? [Atenção, este artigo pode conter spoilers]

GoT

Em 2015, George R. R. Martin admitiu que tinha desistido de ler sites de fãs. O autor da saga “As Crónicas de Gelo e Fogo” (os livros que dão origem à série) afirma que, em 1998 (ano do lançamento do segundo livro “A Clash of Kings”), já havia fãs que tinham percebido os “segredos” que ele pretendia revelar nos últimos livros.

“Tem duas opções [quando as pessoas já adivinharam o segredo]”, explicou Martin ao entrevistador. “Pode ignorar e continuar com o seu plano, apesar de algumas pessoas saberem onde está a ir. Ou pode entrar em pânico e ficar ‘Ó meu Deus. Eles perceberam. Vou ter de ir numa direção diferente’. Acho que alguns escritores fazem isso e é sempre um erro.”

Desde então, Martin evita os fóruns de discussão da série na internet e continuou a escrever a saga. Foram já lançados cinco dos sete livros anunciados e o sexto — “Winds of Winter” — tem demorado a chegar às livrarias. Com a transformação dos livros em série, a especulação em torno do futuro dono do “trono de ferro” só tem aumentado.

A série, que depois de um ano de espera chega finalmente ao fim, já ultrapassou o tempo narrado nos livros. Alegadamente, George R. R. Martin contou o final dos livros aos produtores da série. Assim, apesar de ainda faltarem dois livros para o final da saga e de a série ter seguido um percurso diferente dos livros, o final será semelhante.

Para já, a sétima temporada provou que uma das teorias mais populares entre os fãs é verdadeira. Com a visão de Bran no último episódio, ficou confirmada a teoria “R+L=J”, ou seja, o Jon Snow é um Targaryen e o herdeiro legítimo ao trono. Trata-se do filho de Rhaegar Targaryen (o filho mais velho do “Rei Louco”) e de Lyanna Stark (a irmã de Ned Stark, cujo rapto começou a guerra que acabou com a dinastia Targaryen no Trono de Ferro).

Mas que outras teorias têm os fãs para o final de “A Guerra dos Tronos”?

1. As três cabeças de dragão

Esta é uma das teorias mais populares na internet. Segundo os fãs, existe uma personagem por cada cabeça de dragão no brasão da casa Targaryen (e por cada um dos dragões existentes na série).

Durante muito tempo, a série faz-nos acreditar que Daenerys é a última descendente desta família. Mas com Jon Snow a ser confirmado como sendo também Targaryen, somam-se duas cabeças de dragão.

A terceira cabeça, diz a teoria, seria Tyrion Lannister. Apesar de nunca ser mencionado na série, os livros referem várias vezes o interesse de Aerys Targaryen (o “Rei Louco”) pela mãe de Tyrion e dos gémeos Cersei e Jaime, Joanna Lannister. O livro parece ainda suportar esta teoria ao descrever Tyrion como tendo o cabelo mais claro do que os Lannister (“quase branco” como os Targaryen). A ser verdade, o verdadeiro parentesco de Tyrion justificaria porque é que este se consegue aproximar dos dragões.

No entanto, a série não parece estar a encaminhar-se nesta direção — até porque depois da morte de Viserion na sétima temporada, falta um dragão para ser montado pelos três Targaryen na batalha final (como os fãs previam). Por isso, há fãs que acreditam que as três cabeças de dragão são antes os eventuais filhos que vão nascer da relação de Daenerys com Jon. Nesta teoria, os dois teriam trigémeos - em referência aos três primeiros irmãos Targaryen a conquistarem Westeros. Especula-se também que Daenerys não sobreviverá ao parto.

2. Azor Ahai, o príncipe prometido

De dentro do universo criado por Martin, surge uma teoria baseada numa profecia que faz parte das crenças de uma das religiões da série. Na profecia, Azor Ahai era um guerreiro a quem o “Lord of Light” (“Senhor da Luz”, em português) concedeu uma espada mítica para derrotar o “Great Other (o deus mítico associado ao frio e a escuridão). No entanto, para conseguir libertar todos os poderes da espada, teve de sacrificar a sua mulher. A profecia garantia também que Azor Ahai renasceria como o “príncipe prometido” para mais uma vez vencer a escuridão.

A teoria mais popular é que Jon Snow, tendo sido ressuscitado pelo “Lord of Light” na sexta temporada, é a reencarnação do príncipe prometido. Muitos fãs especulam que, tal como na profecia original, libertar a totalidade dos poderes iria requerer um sacrifício. Neste caso, Jon teria de sacrificar Daenerys.

No entanto, a série tem feito questão de marcar que o termo para “príncipe” em “High Valyrian”, uma língua ancestral do universo de Martin, não diferencia género. Assim, a própria Daenerys pode ser Azor Ahai, tendo renascido do fogo no ritual em que nasceram os dragões.

3. A morte de Cersei

Há várias teorias para o final da personagem de Lena Headey, mas a maioria acaba da mesma forma: Cersei morre.

Quando era ainda criança, Cersei recebeu uma profecia: teria três filhos, assistiria à morte de todos eles e morreria às mãos do seu irmão mais novo. Com base nesta teoria, há quem acredite que nem Cersei nem a criança vão sobreviver ao parto do quarto filho que aguarda do irmão Jaime.

Por outro lado, se durante muito tempo se acreditou que seria Tyrion o “irmãozinho” que mataria a irmã (com quem está abertamente em conflito há várias temporadas), os últimos episódios tornaram possível equacionar um cenário em que será o próprio Jaime a matar a irmã e amante. Com as ações de Cersei a ficarem mais irracionais, há quem acredite que o regicida do “Rei Louco” se tornará também no regicida da “Rainha Louca”.

Outra das teses avançadas é que será Arya Stark a matar Cersei, vingando a morte do pai e riscando mais dois nomes da sua lista. Neste cenário, os fãs acreditam que Arya mataria Jaime e roubaria a sua cara para matar a irmã.

Por fim, existe ainda a teoria de que Cersei morre às suas próprias mãos ou às mãos dos “White Walkers”(“caminhantes brancos”). Neste caso, o “Night King” (“Rei da Noite”, o chefe dos “White Walkers”) atacaria King’s Landing (em português “Porto Real”) com o dragão morto antes ou ao mesmo tempo do que a batalha aconteceria no Norte. Desprotegida, Cersei tiraria a sua própria vida antes que o “Night King” o pudesse fazer ou morreria no ataque.

4. “Os Lannisters pagam sempre as suas dívidas” e esse será o seu fim

Todas as famílias de Westeros têm o seu lema. No caso dos Lannister é “os Lannisters pagam sempre as suas dívidas”.

Para alguns fãs, o lema de que a família tanto se orgulha será também a sua ruína. Isto porque - argumenta a teoria - quando Cersei Lannister pagou a dívida da família ao “Banco de Ferro”, não garantiu o seu apoio. Ao invés disso, deu liberdade à instituição para escolher que candidato ao trono quer apoiar. Com a dívida saldada, o banco deixa de ter interesse em assegurar o sucesso da família.

5. Bran é o Night King e o Bran, o Construtor

Desde que se tornou na figura mítica “Three-Eyed Raven” (traduzido para “Corvo de Três Olhos”), Bran tem revelado vários poderes como a capacidade de possuir corpos de seres vivos ou viajar para no tempo. Nessas viagens, Bran descobriu que consegue influenciar os eventos.

Ainda que aconselhado contra os perigos de mexer no tempo, Bran - defende a teoria - tentaria voltar atrás para impedir a grande guerra entre vivos e mortos que tinha previsto numa visão.

Assim, e prevendo a ascensão dos “White Walkers” durante o reinado de Aerys Targaryen, Bran voltaria atrás no tempo para avisar o rei que deve queimar os “caminhantes” antes destes formarem o exército dos mortos. Só que falharia e criaria, inadvertidamente, o “Rei Louco”. Ao ouvir vozes (a voz de Bran) que não consegue ver, Aerys é levado à loucura e, em vez de queimar os “caminhantes”, manda queimar os seus próprios súbditos.

Numa segunda tentativa de tentar impedir a guerra, Bran recuaria mais no tempo para tentar perceber como é que os humanos conseguiram travar os “caminhantes” no passado, só que chegaria tarde demais. Assim, encarnaria a personagem lendária Bran, o Construtor — o antepassado dos Stark que construiu a muralha que (até ao fim da sétima temporada) estava a manter os “caminhantes” fora de Westeros.

Sabendo que a muralha não seria uma solução permanente, Bran recuaria ainda mais no tempo para o momento antes da criação do primeiro “White Walker”. Bran possuiria o primeiro “caminhante” - que mais tarde se viria a transformar no “Night King” - só que ficaria no passado tempo demais e ficaria preso. Esta teoria justifica porque é que o “Night King” é o único que consegue ver e tocar no Bran quando ele viaja ao passado.

Esta hipótese tem algumas semelhanças com a teoria que diz que o “Night King” é um Stark. Nesta tese, o chefe dos “White Walkers” era um bebé Stark entregue aos “caminhantes” que mais tarde viria a liderá-los e aceitar um acordo. Os “White Walkers” permaneceriam do outro lado da muralha desde que os Stark cumprissem a sua parte: “deve haver sempre um Stark em Winterfell (nome da fortaleza que serve de casa a família)”, frase que é repetida várias vezes ao longo das temporadas. Acontece que Winterfell esteve vazia durante uma parte dos eventos da série.

Outra alternativa é que Bran não possuiu o primeiro “White Walker”, mas sim o “Último Herói”. O jovem Stark seria assim o guerreiro que ajudou a derrotar os “caminhantes” no passado e foi transformado no primeiro “Corvo de Três Olhos”, o inimigo ancestral do “Night King”. Devido à sua disputa de várias centenas de anos, o chefe dos caminhantes quer matar Bran. Esta teoria é suportada por uma Vladimir Furdik, o ator que dá vida ao “Night King”. “Ele tem um alvo que quer matar”, revelou Furdik, que acrescentou que a personagem quer “vingança” por o terem transformado na criatura que é.

6. O “Night King” não pode ser morto

Quem se lembrou desta teoria, inspirou-se provavelmente no enredo de “Piratas das Caraíbas”. Na história protagonizada por Jack Sparrow existe um monstro, Davy Jones, que não pode ser morto, apenas substituído. Esta teoria sugere algo semelhante para o final de “A Guerra dos Tronos”.

Para garantir a paz, Jon Snow teria de se sacrificar para ser o novo “Night King” e assumir a “maldição”. Para isso, teria de ser apunhalado com o pedaço de “dragonglass” (um metal precioso capaz de matar os “caminhantes”) que confere os poderes ao “Night King” e que está alojado no peito deste. Muito parecido com o que aconteceu com a personagem de Orlando Bloom em “Piratas das Caraíbas”.

7. Sansa Stark é a nova ocupante do trono de ferro

George R. R. Martin garante que a sua obra se inspira na história da monarquia britânica, nomeadamente na dinastia Tudor. Traçando paralelismo entre o universo ficcional de Martin e os eventos históricos, alguns fãs forjaram uma teoria que coloca Sansa como a principal candidata ao trono.

Considerando que Robert Baratheon, o rei mulherengo e obeso, foi inspirado em Henrique VIII, Joffrey é equiparado ao seu sucessor, o rei Eduardo VI, que morreu jovem. Nesta teoria, a sucessora ao trono, Cersei, seria Maria I - conhecida como Bloody Mary (“Maria Sangrenta”, em português) em alusão às perseguições religiosas violentas.

Segundo esta teoria, Cersei seria substituída no trono por Sansa, cujo cabelo ruivo e a infância longe da família invocam Isabel I, a bondosa governante que iniciou um próspero reinado.

8. O Samwell Tarly é o escritor das “Crónicas do Gelo e do Fogo”

George R. R. Martin disse, numa durante a Comic Con de San Diego em 2014, que Sam - o companheiro de Jon Snow na “Night’s Watch” (“Patrulha da Noite”) - é a personagem que mais se parece consigo.

O autor já tinha dito anteriormente que a ideia é que os seus livros sejam um elemento dentro do próprio universo ficcional. A ideia seria que “As Crónicas do Gelo e do Fogo” fossem algo semelhante ao que o livro do Hobbit é no universo de Tolkien (do qual Martin é assumidamente fã): um livro escrito por uma personagem.

No segundo episódio da sétima temporada, existe uma outra pista nesta direção. Por esta altura, Sam está na Citadela a estudar para ser “maester” (uma espécie de cronista e historiador encarregue de registar os eventos do seu tempo). Durante uma conversa com o seu tutor, o ancião afirma estar a escrever sobre os eventos que acontecem durante a linha temporal da série. No entanto, Sam sugere que o nome devia ser “mais poético” do que “crónica das guerras que sucederam à morte do rei Robert I”. Os fãs interpretaram o título “mais poético” como sendo o título original dos livros de Martin, concluindo assim que Sam se viria a ser o cronista dos eventos narrados na série.