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O rio de plástico de Mário Cruz premiado pelo World Press Photo à vista em Algés

Mário Cruz ficou intrigado com as ondas de lixo em Manila. Foi lá e descobriu uma cidade dentro de um rio. O World Press Photo premiou-o. Há uma exposição para ver, em Algés

JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Uma barbela transparente, a rodear-lhe a face e as narinas, existe para lhe travar a morte, ligando o seu corpo a uma botija que parece ser mais alta do aquele corpo descarnado que vemos deitado num sofá colocado sobre um chão irregular. Pode ser um rapaz ou uma rapariga. A aparência é indefinida, andrógina, mas a situação diz-nos que aquele ser humano precisa de oxigénio para sobreviver. A localização desta fotografia podia ser atribuída a qualquer país pobre, no qual as condições de saneamento e tratamentos de saúde são miseráveis. Mas a figura, que é afinal um rapaz, está a muitos quilómetros de Portugal, nas Filipinas, país onde o lixo assume uma dimensão para nós desconhecida. O rapaz chama-se Nolito, como Mário Cruz, que o fotografou, anuncia. Tem 21 anos, mas desde os três que apanha lixo no rio Pasig, que atravessa o coração de Manila. Um lugar pelo qual se imagina que os turistas passem em higiénica fuga, a caminho das paradisíacas praias.