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Vida Extra

O afrofuturismo de Abu Mansaray

Originário da Serra Leoa, a obra deste artista reflete os horrores da guerra e devastação provocada pela tecnologia. É o primeiro de 15 perfis dos 15 nomeados do prémio Navigator Art on Paper que publicaremos até 29 de março

Homem-digital, 2004

Abu Mansaray

Abu Bakarr Mansaray nasceu na Serra Leoa em 1970, nove anos após a independência do Reino Unido. A brutal guerra civil que eclodiu no país em 1991 e que o obrigou a fugir em 1998 para a Holanda destruiu a infraestrutura nacional e continua a influenciar a sua obra. Agora a morar na capital do seu país nativo, Freetown, as suas peças de vários tamanhos combinam imagens de diferentes mundos, como esqueletos, metralhadoras de sangue ou objetos alienígenas. O que poderia ser o imaginário de um passado de imaginação, se não fosse o imaginário violento da realidade quotidiana em África.

Esta estética baseada nos mundos da ficção científica e tecnologia são o exemplo típico da essência do afrofuturismo, em que a futurologia está umbilicalmente ligada à realidade caótica do continente. Abu Mansaray é um autodidata que começou a construir objetos decorativos e brinquedos a partir de fio e ferro. Aplicando os conhecimentos de engenharia que foi adquirindo ao longo dos anos, sem educação formal, começou a construir obras cada vez mais complexas, enquanto os seus desenhos de acompanhamento começaram a ganhar eles mesmo valor.

O afrofuturismo de Abu Mansaray é uma projeção dos horrores da realidade noutra dimensão de tempo e espaço, em que a visão do Ocidente da tecnologia é apresentada através da sua faceta mais assustadora.

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