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Os livros que elas escrevem — e que precisam de ser lidos. O “Mulherio das Letras” chega a Lisboa

Artes e ciência no feminino vão estar em destaque a partir desta quinta-feira até domingo, coincidindo com o Dia da Mulher

Nicole Honeywill / Unsplash

Artes e ciência no feminino vão estar em destaque a partir desta quinta-feira, 7 de março, num evento intitulado “Mulherio das Letras”, que se realiza em Lisboa, reproduzindo um modelo brasileiro, que tem por objetivo divulgar a literatura escrita por mulheres. O “I Mulherio das Letras de Portugal” vai decorrer até ao próximo dia 10 de março, coincide com o Dia Internacional da Mulher (a 8) e conta com palestras, comunicações e intervenções de mais de 30 mulheres — escritoras, leitoras, investigadoras, jornalistas e ativistas —, tendo por objetivo contribuir para a difusão da produção cultural e artística de autoria feminina.

Entre as escritoras participantes, contam-se nomes como Maria Teresa Horta (recentemente proposta pela Associação Portuguesa de Escritores como candidata ao Nobel da Literatura 2019), Lídia Jorge, Ana Paula Tavares, Julieta Monginho, Ana Margarida de Carvalho e Rita Taborda Duarte.

Elizabeth Olegário, coordenadora geral do Mulherio, explicou à Lusa que este é um “evento híbrido, que se realiza na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da [Universidade] Nova, e no Palácio Baldaia [em Benfica], tendo uma componente mais académica, mas que conta com a participação de várias artistas, e uma outra componente mais editorial, de lançamento de duas antologias, uma de prosa outra de contos, de várias mulheres, que vêm de Portugal e do Brasil”.

A responsável contou que o “Mulherio das Letras” surgiu no Brasil, “na cidade nordestina de João Pessoa, em 2017, por iniciativa de uma escritora brasileira que ganhou o prémio Jabuti, Maria Valéria Rezende, que teve a ideia de realizar o primeiro evento.” “A partir dessa experiência, foi reproduzido em várias cidades brasileiras, chegou à Europa, com eventos a acontecer em França e em Itália, respetivamente nas cidades de Paris e Perúgia.” O 'Mulherio' quer não só fomentar a produção e a divulgação de literatura escrita por mulheres, mas também ser uma “plataforma colaborativa”, que possa estabelecer um diálogo entre a academia e a sociedade civil, entre as escritoras e as leitoras e por isso o “trouxemos para Portugal”, explicou Elizabeth Olegário.

Esta “plataforma livre e colaborativa” que o “Mulherio das Letras” pretende ser ambiciona tornar-se cada vez maior e “pode ser reproduzida, mantendo a ideia chave de Maria Valéria Rezende.”

O Mulherio das Letras — Portugal abre na Nova com uma atuação musical da cantora portuguesa Susana Travassos, a que se seguirá, entre as 10:00 e as 12:00 desta quinta-feira, uma mesa de debate sobre “A mulher e a palavra”, com a participação das escritoras Ana Margarida de Carvalho, Lídia Jorge e Maria Teresa Horta e da médica Isabel do Carmo. A parte da tarde abre com uma atuação musical da cantora portuguesa de jazz Maria Anadon e prossegue com uma mesa sobre a mulher e a imprensa e várias intervenções sobre os percursos femininos na arte.

O dia 8 começa com um espetáculo musical da brasileira Camila Masiso e segue com mesas sobre a integração das minorias e o percurso da mulher pelo século XX e início do século XXI.

Os dias 9 e 10 serão marcados pelas atividades no Palácio Baldaia, com intervenções sobre arte e a palavra, Brasil e Portugal na poesia contemporânea, uma tertúlia de homenagem ao dia da mulher e o lançamento da antologia “Mulherio das Letras”, com a participação de 60 mulheres do Brasil e de Portugal.

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