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Na sombra de Lourdes Castro

Viveu em Paris durante 25 anos, foi lá que se revelou ao mundo e concebeu a sua assinatura. Agora, pela primeira vez, uma exposição retrospetiva de Lourdes Castro mostra-a de novo em França

Lourdes Castro

Foi preciso fazermos um longo trajeto até Sérignan, pequena vila no Sul de França situada entre vinhedos e a costa a poucos quilómetro de Béziers, uma das mais antigas e importantes cidades francesas perto dos Pirenéus, para nos encontrarmos com a singular obra de Lourdes Castro, que se apresenta agora numa retrospetiva inédita que tem por título “Ombres & Compagnie”. O lugar que a acolhe é o Musée Régional d’Art Contemporain Occitanie/Pyrénées-Méditerranée, o principal polo artístico da região do Languedoc-Roussillon.

O acontecimento é inédito. A artista madeirense viveu, entre 1958 e 1983, em Paris, os anos de maior produção e afirmação, e foi a partir desta cidade e da contaminação com o ambiente artístico que se vivia então que produziu uma obra a partir do estudo da sombra, inscrevendo-se assim como nome fundamental na história da arte contemporânea portuguesa. Apesar de ter conseguido durante esse tempo desenvolver um percurso internacional, e de ter feito parte da cena artística francesa dos anos 60 e 70, nunca chegou a ter uma exposição individual, ou retrospetiva da sua obra em França. Esta é a primeira vez que lhe é dedicada uma grande exposição individual e é uma história de mulheres.

É Sandra Patron, diretora do museu, quem nos recebe e conta que foi a resiliência de Anne Bonnin, curadora da retrospetiva, conhecedora do panorama artístico nacional e apaixonada pela obra de Castro, que a levou a um lugar tão distante dos centros das capitais de arte contemporânea, com o intuito de que funcione como um lugar de primeira visibilidade para que “Ombres & Compagnie” possa depois circular em outros centros de arte.

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