Perfil

Vida Extra

Elena Ferrante: “‘Dar à luz’ é a nossa especificidade de mulheres”

Merve Emre, professora de literatura na Universidade de Oxford, entrevistou a mais misteriosa das escritoras, Elena Ferrante. A autora, que escreve em italiano, é uma das mais populares da atualidade e acaba de ter o seu livro “A Amiga Genial” adaptado para uma série televisiva que pode ser vista no canal HBO

MERVE EMRE (TEXTO) E ANDRÉ CARRILHO (ILUSTRAÇÕES)

A série televisiva “A Amiga Genial” começa com um plano de um iPhone 7 — o telemóvel de Lenù — a tocar no meio da escuridão. Para mim esse início foi espantoso. Os romances interessam-se muito pouco pelas formas e tecnologias de comunicação que não são livros: ninguém vê um filme, ninguém ouve música, ninguém lê artigos no computador. O que significa para si a leitura?

Tem razão, as duas amigas pertencem ao mundo dos livros de papel, tal como eu, que as inventei. Elena ganha tardiamente consciência de não ter uma formação musical, por exemplo. A sua fuga do bairro está toda centrada na alfabetização: ler, estudar, são os únicos instrumentos que tem à sua disposição para ultrapassar os limites dentro dos quais lhe coube nascer. Mas deve recordar-se de que Lila, embora primeiramente atribua um grande valor ao livro, virá a ser uma pioneira dos meios eletrónicos.

O que significa para si a leitura?

Ler é um exercício extraordinário. Não surge naturalmente, requer empenho, deve transformar páginas cheias de sinais em mundos plenos de vida. Mas logo que a leitura se torna uma necessidade da mente deixa de se poder passar sem ela. Eu sou uma leitora muito participante, disciplinada, colaborativa. Nunca abandono um livro, mesmo que ele não me agrade, leio-o até à última linha. Encontro sempre qualquer coisa para aprender. E entusiasmo-me, talvez até de um modo excessivo, quando um livro me surpreende favoravelmente. Há pouco tempo li um romance que me pareceu excelente. Intitula-se “Outline” e é de Rachel Cusk.

Para ler o artigo na íntegra clique AQUI.