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As máscaras de Joana Vasconcelos

Joana Vasconcelos faz desaguar em Serralves o seu imaginário criativo. Depois do sucesso em Bilbau, a exposição “I’m Your Mirror” chega terça-feira a Serralves, revista e aumentada

Quem passa por estes dias em frente ao Museu de Serralves confronta-se já, no muro exterior, com o cartaz a anunciar “I’m Your Mirror”. A mostra originalmente concebida por Joana Vasconcelos para o Museu Guggenheim de Bilbau, onde foi a terceira exposição mais vista de sempre nos 20 anos de vida do edifício concebido por Frank Gehry, com um total de 650 mil pessoas, abre ao público na próxima terça-feira, dia 19, e fecha a 24 de junho, o Dia de São João e da grande festa da cidade do Porto.

Lá dentro, de dia ou de noite, longos são os dias e as noites. Vive-se por ali um intenso fervilhar, provocado pela montagem de uma exposição composta por 30 peças concebidas entre 1997 e a atualidade. Joana Vasconcelos tem andado numa azáfama sem fim. O que parecerá a mesma exposição de Bilbau não é, nem jamais poderia ser, em boa verdade, a mesma. Desde logo por novos e diferentes serem os desafios colocados pelo espaço disponível. No edifício de Gehry, Joana tinha, no essencial, uma vastíssima sala com 1300 metros quadrados, onde fez o seu próprio desenho de exposição. No Porto terá, como ela própria constata, “um espaço muito personalizado por Siza, com muitas características particulares”, o que desencadeia uma muito especial abordagem do território a explorar pelas diferentes peças. Se em Bilbau foi a sala a ter de se adaptar às obras, em Serralves são as obras a terem de se adaptar às múltiplas salas por onde se estende “I’m Your Mirror”.

Há outra diferença fundamental. Os jardins terão um especial aproveitamento, com cinco trabalhos. Não há o “Pop Galo”, uma recriação do galo de Barcelos, mas há a piscina com a forma do mapa de Portugal. É, para quem chega, a primeira peça a ser vista. Estará no espaço relvado junto à entrada principal do museu. Depois impõe-se o convite à peregrinação por um exterior onde convivem com a luxuriante vegetação de Serralves o “Solitário” (2018), um grande anel de noivado feito com 112 jantes de automóvel metalizadas e 1300 copos de cristal, pela primeira vez apresentado em Bilbau; o “Bule”, uma peça em ferro forjado (2,3 x 3,27 x 2,24 metros) originalmente concebida para assinalar os 75 anos do Portugal dos Pequenitos, onde foi instalada; a “Marilyn”, uma peça de 2009 constituída por um par de sapatos gigantes concebidos a partir de tampas e tachos portugueses de aço inox; e os “Castiçais”, da Coleção Berardo.

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