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Os outros portugueses, apagados da História

“Filhos da Terra” é sobre os jogos complexos de identidade e as relações que se desenvolvem em tais circunstâncias. O “império da sombra” tinha muitos rostos

Luís M. Faria

Jornalista

Mestiça de Java, numa gravura de Jacob Neuhof

D.R.

Um império, português ou qualquer outro, nunca é o que parece. Ou não é isso só. Neste livro, um dos mais importantes intelectuais portugueses contemporâneos, que passou do Direito à História e se tem dedicado a estudar as instituições de poder, formais e informais, fala de “portugueses” que se encontravam nas margens do império.

Quer dizer, para lá das fronteiras dele, não submetidos às suas estruturas e normalmente sem raízes bioétnicas em Portugal, embora ligados à nossa cultura por algum elemento – social, de vestuário, etc. — indicativo de pertença a uma tradição que implicava geralmente um fator de prestígio. O exemplo que o autor dá logo ao início é o do chapéu que aparece em representações humanas que vão dos biombos namban aos bronzes do Benim. Esses “portugueses” (as aspas visam diferenciá-los dos portugueses tout court) ficam quase esquecidos nas narrativas históricas, embora existam relatos sobre eles em obras de contemporâneos. Que ser português pudesse ser uma mais-valia, vê-se no modo como em Goa os portugueses de raiz, por mais humilde que fosse a sua origem, multiplicavam os sinais do seu estatuto superior. Entre vários testemunhos citados pelo autor consta o de um visitante francês que salientava a presunção, a vaidade e a hierarquia da elite portuguesa. Bem entendido, estatuto não significava forçosamente poder, nem sequer aí, quanto mais noutros locais em que a pegada portuguesa fosse mais ténue.

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