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Gaspar não entrará no paraíso

“Clímax” é um filme de dança que depois desce ao horror abominável. Nada de novo no universo de Gaspar Noé, embora esta proposta seja inédita. Nunca gostámos dos seus filmes. Ele nunca se importou e tem muito mais a dizer do que isso

A primeira sequência de dança (coreografada por Sofia Boutella) em “Clímax”

D.R.

Apertar o cinto, que é sempre a descer: eis toda a obra de Gaspar Noé, que tende para a loucura, para o delírio, para o transe, até à irracionalidade extrema do que significa ser humano e de como um filme a pode expressar. Ele faz filmes há 30 anos, facto que também significa isto: se fosse fraco, já teria quebrado. As personagens dele, invariavelmente, são carne para canhão das suas demonstrações. O que ele demonstra, de um filme a outro, de “Seul Contre Tous” a “Irreversible”, de “Enter the Void” a este “Clímax”, são estados de náusea. Já em tempos escrevi que os seus filmes não são atrocidades vulgares — embora não menos atrozes por isso. Só que há coisas que ficam a ressoar depois da experiência que é atravessar “Clímax”. Noé é menos um provocador do que um performer — e é único. De performance, no menos psicológico e mais físico dos seus filmes, também “Clímax” nos fala: e é ácido para os olhos, sim — até à impossibilidade de ver?

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