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Atelier-Museu Júlio Pomar vai receber espólios artísticos em situação de risco

Banco de Arte Contemporânea, em fase de instalação num edifício da Câmara de Lisboa, no Bairro do Rêgo, tem por principal missão acolher espólios documentais e de arte contemporânea em risco, tanto de artistas como de historiadores e críticos de arte da segunda metade do século XX

A diretora do Atelier-Museu Júlio Pomar, Sara Antónia Matos, revelou que a entidade criou o projeto 'Banco de Arte Contemporânea' para receber espólios artísticos em situação de emergência ou risco de se perderem, e proceder à respetiva investigação.

Contactada pela Lusa a propósito da sua saída da direção artística das Galerias Municipais de Lisboa, onde estava desde o janeiro de 2017, a curadora indicou que o novo projeto é gerido pelo Atelier-Museu, que é tutelado pela Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC). O 'Banco de Arte Contemporânea' (BAC) é um projeto criado pela Câmara Municipal de Lisboa (CML) e pela EGEAC, em colaboração com a Fundação Carmona e Costa e Universidade Nova de Lisboa, através do Instituto de História da Arte-Faculdade de Ciências Sociais Humanas (IHA-FCSH).

Sobre o novo projeto, que acaba de ser iniciado, Sara Antónia Matos explicou que reúne as vertentes de arquivo/acervo e polo de investigação e tem por missão receber espólios documentais de arte contemporânea que estejam em risco de se perder e cuja salvaguarda seja de emergência, tanto de artistas como de historiadores e críticos de arte, em atividade desde a segunda metade do século XX.

“Pedi para sair porque o Atelier-Museu Júlio Pomar tem diversos projetos de investigação em curso, enquadrados no BAC, para os quais precisava de mais disponibilidade”, adiantou a responsável, doutorada em escultura e com um mestrado em Estudos Curatoriais. Sara Antónia Matos entrou para a direção do Atelier-Museu quando o espaço abriu, em 2012, e em 2017 foi convidada para acumular com a direção das Galerias Municipais de Lisboa, em substituição do curador João Mourão.

“O objetivo era reestruturar e criar as linhas programáticas das galerias, que precisavam de um novo fôlego nos cinco espaços expositivos tutelados pela EGEAC”, refere. As Galerias Municipais são constituídas por cinco espaços de exposições de arte contemporânea sem coleção: Galeria Quadrum, Pavilhão Branco, Galeria da Boavista, Torreão Nascente da Cordoaria e Galeria da Avenida da Índia.

Quanto ao BAC, a ideia foi proposta por Maria Graça Carmona e Costa à CML, e tem por o objetivo tratar os espólios para “compreender os desenvolvimentos da história da arte portuguesa, os seus autores, mais e menos reconhecidos”. No quadro da história da arte portuguesa, “permitirão revelar e compreender uma história com as suas condicionantes próprias, fatores de desenvolvimento e momentos de progressão e retração”, acrescenta a curadora.

Sara Antónia Matos revelou à Lusa que já receberam espólios da artista plástica Ana Vieira (1940—2016) e da escultora Graça Costa Cabral (nascida em 1939). O BAC, que iniciou a sua atividade há cerca de um ano e está na sua fase de instalação, funcionará num edifício da CML no Bairro do Rêgo, sob gestão do Atelier-Museu Júlio Pomar/EGEAC e da sua direção, a partir deste mês de fevereiro.

O BAC, segundo Sara Antónia Matos, pretende assumir-se como uma estrutura complementar à dos equipamentos museológicos, à universidade, a outros centros de documentação e arquivos, já existentes no país e na cidade de Lisboa: “Irá preservar e contribuir para a divulgação da arte contemporânea portuguesa, permitindo o seu estudo pelos académicos e universitários, desde professores, investigadores, alunos, e por outros profissionais que operam no meio”, frisou.

O conselho consultivo é constituído por representantes da Fundação Carmona e Costa, consultores independentes, especialistas em arte contemporânea, representantes do IHA-FCSH, da EGEAC e do Atelier-Museu Júlio Pomar.

Durante o período de instalação, integram o conselho, além de Sara Antónia Matos, Maria da Graça Carmona e Costa (consultora na área da arte contemporânea, fundadora e presidente da Fundação Carmona e Costa), Manuel Costa Cabral e João Pinharanda, consultores na área da arte contemporânea, e Raquel Henriques da Silva, professora do IHA–FCSH da Universidade Nova de Lisboa.

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