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Onde estão as cartas trocadas entre Maria Lamas e Ferreira de Castro?

Feminista, ativista, jornalista, escritora. Figura proeminente do século XX português, Maria Lamas teve um relacionamento com o escritor Ferreira de Castro. Os dois terão depositado a sua correspondência, na presença de testemunhas, na Biblioteca Nacional. Desapareceu tudo

D.R.

A28 de fevereiro de 1982, Maria Lamas escreveu à filha mais nova, Maria Cândida, dizendo-lhe que a sua lista de obras estava incompleta: “Falta um, que só será publicado 30 anos depois da minha morte. Esse livro póstumo será a minha Ressurreição (...) Já está tudo tratado na Biblioteca Nacional há bastante tempo, e eu já tinha resolvido não dizer nada a ninguém. Aqui tens, querida filha, o meu segredo.” Maria Lamas morreu há 35 anos. O segredo está por revelar.

A filha mais nova, Maria Cândida, respondeu-lhe, por escrito, no mesmo dia, e da mesma casa, em Évora, onde viviam, numa altura em que Maria Lamas já estava muito surda: “Querida mãezinha, li a tua carta com muita atenção e fixei muito bem tudo quanto me dizes. Penso que não tens razão para estares assim preocupada. Tu não te lembras, mas eu recordo-te que, na ocasião do acontecimento a que te referes, tu própria me comunicaste o facto: Tinhas feito uma ‘escritura’, e de acordo com o Ferreira de Castro, ‘de comum acordo’ — e com um documento assinado pelos dois, e salvo erro pelo Álvaro Salema também, resolveram depositar na Imprensa Nacional as cartas que tinham escrito um ao outro para serem publicadas na data que indicavam: 30 anos após a morte do último a morrer. Como vês, estou perfeitamente a par dos acontecimentos. Não deves preocupar-te agora, com o que há tantos anos se passou e que nada poderá alterar. Penso que deves descansar a tua cabecinha para estar boa e ‘rija’ para as homenagens que se aproximam. Eu estou bem, mando-te beijinhos. Maria Cândida.”

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